quarta-feira, 11 de março de 2009
Aproveitar
terça-feira, 10 de março de 2009
Devagarinho ... mas menos

domingo, 8 de março de 2009
Há dias assim ... tristes!
parece que nada mais existe que o primeiro, o objectivo de ficar em primeiro.
e o mundo, que é tão rico devido ao conjunto do "todos", por causa de todos os outros, que não apenas o primeiro. e geralmente nem é o primeiro o mais interessante. são todos os que podiam ser os primeiros mas que por qualquer razão não o foram.
e todos os que não podem ser primeiros? sim porque nem todos podem, genética, fisiológica e psicologicamente falando.
onde ficam? já não há lugar para eles? mas então como pode haver primeiros, sem existirem os outros?
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hoje foi um dos dias mais tristes da minha vida.
vinha preparado para relatar mais uma incursão pelas canoagens. infelizmente não o vou fazer! vou descrever um outro lado da "festa".
que valores se passam para os jovens em formação? que formação desportiva - e logo cívica - se está a passar com o exemplo da mediocridade e da intrujice? da fraude? do desrespeito pela saudável competição?
passo a explicar (e sou insuspeito, porque não tive os "meus" envolvidos):
- numa prova, uma tripulação não alinhou à partida. a partida foi dada e a meio da prova, devido aos incidentes que haviam impedido o alinhar na partida, a dita tripulação "apanhou" a prova já em marcha.
no final foram chamados ao pódio como tendo ganho o primeiro lugar.
para além da palhaçada da organização, que não teve um controlo mínimo para evitar a falsificação da verdade desportiva, resta a vergonhosa atitude dos treinadores, pais e jovens concorrentes.
receber o prémio de 1ºs classificados, quando os segundos ali estavam honestamente, tendo partido e chegado segundo as regras, sem se terem apercebido do sucedido ...
ninguém assumiu este acto vergonhoso.
os "vencedores" levaram um troféu sujo: de desonestidade, de desrespeito, de pequenez, de mediocridade, de falta de carácter, de tudo aquilo que mais abomino na espécie humana.
os treinadores e os pais provavelmente já terão muitos destes troféus em casa. só assim se explica o "exemplo", a passividade, a ausência de vergonha, a mesquinhez do acto, o roubo.
são estes os jovens que se formam neste momento, desta forma, neste país.
e sinto-me cada vez mais "alienígena". porque me sinto parte de um grupo cada vez menor, que condena e acha anormais estas situações.
pelos vistos a fraude e a ausência de valores "saudavelmente desportivos" estão a tornar-se normalidade.
preciso de mudar de país?
sim porque fechar os olhos vai contra mim, não o posso fazer, não o consigo fazer.
quando a fraude passa a pertencer ao rotineiro fluir dos dias, quando é parte normal no comportamento de "agentes" desportivos - de crianças a adultos, onde mora a raiz esperança?
é que sou do tempo em que desporto significava em primeiro lugar respeito por nós próprios, em segundo lugar respeito pelos outros e, em terceiro lugar, aceitar as regras do bom carácter e da boa conduta desportivas - a primeira das quais, não fazer batota e aceitar os resultados como fruto do trabalho e do suor, por vezes da sorte, nunca, mas nunca, da trapaça.
ab
nota 1:
não estava (feliz ou infelizmente) naquele momento, na entrega dos troféus.
caso estivesse, podia ter corrido mal, pois teria difculdade em reter a indignação ...
talvez fosse um pequeno passo. talvez! mas cada vez sei menos ... e o pior é que não sei se adianta alguma coisa, pois os referenciais são totalmente distintos. praticam-se valores "concorrentes".
hoje estou enojado.
nota 2:
o lado positivo desta história: como é com os exemplos que educamos, aproveitei naturalmente este para falar com o rodrigo e para insistir na diferença de valores e de práticas, os que defendo e os do exemplo.
sábado, 7 de março de 2009
Lagoa Azul - Sintra
O sítio: "Lagoa Azul"
"A" Lagoa Azul
Os patinhos psicadélicos graças à minha aptidão para tirar fotos com o tmnuma palavra, o treino de hoje foi “poesia” da mais pura. obrigado nk.
estava combinado pelas 7:30m na lagoa azul. cheguei com 5 minutos de atraso porque fui directo à penha longa … rotundas :) e a cabeça que já não é o que foi!
a temperatura estava excelente, 12 graus. céu cinzento mas sem chuva.
iniciámos e com 5 minutos subimos a pique num trilho fantástico, durante uns quinze minutos, até à estrada que vai dar ao cabo da roca – a da corrida do gp do fim da europa.
(nk o meu próximo objectivo é subir o trilho todo sempre a correr :)a partir daí continuámos, ora em trilho, ora no asfalto por pequenos períodos.
o mestre guru deleitava-me com o seu relato de experiências passadas, de quem conhece a zona e por ali fez a recruta. os trilhos corta-fogo estão bem arrumados e permitem um passeio aprazível durante o tempo que quisermos.tinha como objectivo correr 1h30m. à pergunta do nuno, por volta da 1h10m, respondi que poderia fazer até 2h - uma vez ali, num paraíso longe do “homem”, não me importava de desfrutar ao máximo. foi algo de inesquecível. a serra de sintra só nossa, de manhã bem cedo, inspirando o ar mais puro, desfrutando do verde mais verde, das árvores imponentes, de uma natureza ainda (quase exclusivamente) em bruto. é algo que não se consegue contar. esta experiência não tem tradução possível e por isso termina aqui, com o relato da 1h51m de treino.
o mestre nk hidrata com a sua mistura, após o treino ou... o início do repouso do guerreiro
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após o treino ... feliz! (foto nk)
convido-vos a gozarem do mesmo paraíso, desde já. vale a pena, e começando cedo, ainda mais. depois … relatem a experiência. para os renitentes que gostam mais de caminha de manhã, não perdem muito em experimentar, uma vez basta; no final, o crédito na alma compensar-vos-á por tudo!ab
quarta-feira, 4 de março de 2009
Corta mato escolar

algumas notas:
- o corta mato decorre à volta da escola, sempre em asfalto; não há "mato".
mas ... ainda bem que ninguém está preocupado com o nome e que realizaram este conjunto de actividades, pois o importante é mesmo colocar a malta a mexer.
- a participação não era obrigatória. apesar disso, o número de participantes na várias provas foi elevado, o que me deu uma grande satisfação.
- vi um elevado número de jovens muito cansados logo na primeira subida, aí uns duzentos metros após a partida (o percurso seria de cerca de 1000m):
alguns manifestamente por problemas de obesidade,
outros eventualmente por sedentarismo,
outros ainda - percepção minha - por um motivo talvez mais complicado, deficiente alimentação.
pois é, face à magreza que aparentavam, suspeito que este possa ser um dos motivos para a falta de energia. o que nos leva a pensar seriamente nos 2 extremos - obesidade e carência alimentar - afinal tão juntos socialmente ...
quanto ao rodrigo, bom, correr não é o seu prato favorito - diria mesmo que na escala pessoal dele fica bastante em baixo :); ainda assim, participou, deu o melhor que conseguiu e deu-me um orgulho imenso:
- meu amor, participar é tudo! a partir daí é com cada um, mas ao iniciares a corrida ganhaste-a desde logo, fizeste e foste o dono da tua viagem.
ab
terça-feira, 3 de março de 2009
Há ultras e ultras ...
este post tem que ser partilhado. o texto é longo mas na minha opinião vale bem o tempo de leitura.
confesso que ainda não o li todo, copiei para word e vou ler o resto daqui a pouco.
mas com 1/3 de post lido já percebi que:
- o artigo está muito bem escrito
- a análise do limite humano é algo de muito interessante, sobretudo porque é sempre difícil descobrir onde reside esse limite, em qual das componentes (ok, esta foi um bocado estúpida, porque a única perspectiva que devemos adoptar é holística, una, não podemos analisar o comportamento humano à luz de "componentes" ... descartes já era, damásio ensinou-nos isso!)
- a leitura do artigo impõe uma outra visão sobre a motivação (individual e de grupo/equipa) e sobre o fenómeno da dinâmica de grupo/equipa e da necessária tensão (o nível óptimo de tensão que faz mobilizar os membros de um grupo/equipa como um todo), para que os grupos/equipas sejam "performantes"
ab
segunda-feira, 2 de março de 2009
Sócrates - o poder do não saber
domingo, 1 de março de 2009
3 horas ou ... o tempo é diferente nos trilhos?
- não me apetece, ainda ontem fiz 1 hora de subidas e descidas, estou cansado … esta semana já fiz 4 treinos, 2 dos quais na montanha russa do sobe e desce. sinto-me maçado.
- acorda! acorda!
- já disse que não me apetece. que horas são?
- seis e trinta. o treino tem que começar pelas sete e trinta. vá acorda! rápido!
- mas já disse, p…a, não me apetece! especialmente hoje. já fiz os treinos todos da semana, 4, para ser mais preciso. já chega!
- acorda pá! deixa-te de tretas. és um homem ou és um rato? (nota: naturalmente, sem querer atingir a honra dos ratos, que têm tanto direito a viver neste universo
como qualquer um de nós e têm o seu papel no todo) fonte: http://www.amigosdomario.com.br/
- olha, neste momento nem uma coisa, nem outra. talvez seja mesmo uma tartaruga em hibernação tardia.
- acorda pá. é a última vez que te aviso! tens que correr 3 horas, hoje, agora. olha, a foca está de repouso, depois de ter andado a dançar as sevilhanas, o buda vem relaxadinho das suas viagens espirituais; vão dar-te cabo da cabeça nos trilhos do pastor, caso não treines como deve ser. vá, não tens desculpa, acorda, rápidoooooooooooooooooooooooooooo!
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esta semana teve 5 treinos (graças à voz interior, madrugadora, que hoje me tirou da caminha), este fim de semana teve 2 treinos num total de 4 horas. devem ter sido quase 40 km, em sobe e desce permanente. hoje foi o circuito já habitual, saída de casa (pelas 8 horas :), subida para o monsanto, em tudo semelhante aos treinos longos de há 15 dias e 1 mês.
as principais diferenças: das 3 horas, uma hora e quarenta foram passadas em trilho, sobe e desce permanente, entre o arvoredo e o ar mesmo puro.
uma constatação: o tempo nos trilhos flui de forma diferente, mais pausada, pois os barulhos da natureza, dos animais que por detrás do verde nos acompanham, passo-a-passo, fazem-nos retornar a uma calma primitiva, a uma quase ausência da necessidade de registar o tempo. o que uma desvantagem, pois a partir da 1h30m “as pernas” foram acumulando a fadiga desta semana volumosa e o “tempo” nunca mais passava :)
a volta em monsanto foi bonita, o trilho estava fofo da chuva nocturna e da orvalhada matinal. foi um treino importante, muito sobe e desce, subidas difíceis, descidas por vezes íngremes, sem tempo para frenar o peso do corpo; mentalmente tinha que ser - agora sim! a 1 mês de distância já estou mais próximo de fazer os trilhos do pastor com alguma segurança e mais confiante.
a corrida da árvore em monsanto ia dando sinais, com a colocação dos abastecimentos, com as placas a assinalar os quilómetros, com a polícia estrategicamente colocada a mandar inverter o tráfego que afluía a monsanto.
cruzei-me com alguns corredores que ora aqueciam, ora treinavam à parte da corrida da árvore. cruzei-me com muitos, mesmo muitos, ciclistas. e hoje até foram todos bastante simpáticos, retribuindo sempre os cumprimentos e os acenos (por vezes eram grunhidos da minha parte, em função da inclinação da subida :). é que os ciclistas são uma “raça” onde há alguns cromos, aliás como em qualquer raça – incluindo a dos corredores – que nem se dão ao trabalho de cumprimentar quem passa, e por vezes também se esquecem de apitar para assinalar a sua presença (pedro a., vá, podes bater à vontade que posso provar o que digo – só precisas fazer um treino comigo :)))
tudo estava perfeito, não fosse o erro de principiante, primário e básico. não levei água. levei 2 gels da decathlon, de maçã – bastante saborosos, e contei com o ovo no bumbum da galinha: contava beber, ou nas torneiras para lavagem das bicicletas, ou em alguma das fontes em monsanto.
acontece que, manifestamente por actos de vândalos, as torneiras estavam partidas e as fontes nem dispositivo tinham para accionar água. moral da história: fui andando e ao fim de 2 horas e trinta minutos parei na bomba da bp no restelo e lá consegui matar a sede. muito tempo depois do que devia. é que nos trilhos o cinto com as “granadas” de líquidos não deixa de causar desconforto. e ainda não descobri uma loja onde possa adquirir aqueles recipientes que se prendem à mão – tipo os que os ultramaratonistas usam.
o casal que enchia os pneus e que regularizava os níveis da água e do óleo do carro olhou para mim e para o meu es
tado como se um alienígena tivesse aterrado no restelo.
fica uma imagem da bomba de gasolina do restelo na manhã de hoje.
fonte: www.reflexoesexteriores.blogspot.com
o treino terminou a subir, como é hábito, até à “minha” praceta. a provação final, a subida a pique durante uns 750 metros. final não, porque ainda subi 3 andares de degraus, fiel à minha resolução de evitar os elevadores. e pronto. está feito. ninguém mo tira.
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a voz interior, impulsionadora do acordar madrugador, ainda me permitiu desfrutar de algo muito rico: o rodrigo recomendou-me um livro que acabou de ler ontem - leitor compulsivo como eu, logo mo entregou para o “devorar”.
chama-se “vovô tsongonhana”, da autoria de augusto carlos, escritor moçambicano.
estou a adorar. comecei hoje de manhã, enquanto aguardava uns minutos, para que o pequeno almoço assentasse. tem a magia da escrita africana, que com a sua simplicidade e intensidade, nos transporta sempre para o que é importante e para um imaginário assente sobre a terra forte das mãos africanas.
ab
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Como pode 1 segundo fazer a diferença?
o do blogue just run da luciane, pela vitalidade que transmite e pela paixão que decorre das palavras. é o post de 19 de fevereiro intitulado:
O QUE VOCÊ FARIA EM TRINTA E DOIS SEGUNDOS??? (desculpe luciane, não tive arte e engenho para copiar o link para o post :)
no caso trinta e dois segundos aguçaram o apetite para a próxima meta.
neste segundo, do blogue do jorge, grande maratonista e ultra, companheiro da blogosfera que alimenta um blogue sempre atractivo, fica um testemunho de vida num post cósmico sobre a importância da corrida para a reabilitação de uma pessoa, a cristina.
uma história comovente de força, entre muitas, que tem a nobreza da luta permanente, da persistência e de viver com o coração para atingir o objectivo maior - a libertação e a liberdade, de forma a fruir plenamente dessa dádiva chamada vida.
e daí a minha pergunta:
para que serve 1 segundo, e como pode fazer a diferença?
1 segundo pode ser o tempo que medeia entre o nada e o colocar em prática uma decisão:
- dar o primeiro passo, começar uma nova etapa, iniciar uma caminhada, iniciar uma corrida, dar vida à mudança.
e tudo começa com um passo apenas - com 1 segundo, o primeiro passo, que basta para mudar.
o caminho pode ser irreversível, tanto no sentido bom, como no menos bom.
mas 1 segundo basta para tornar a vida numa tela mais bonita, melhor, mais vivida, mais partilhada.
Bons começos, bons primeiros passos, boas utilizações de cada um dos segundos.
bom fim de semana,
ab
p.s. - é por isto que adoro a net e a blogosfera; antes de mais pela possibilidade de aprender, de partilhar, de ganhar motivação com as experiências de outras pessoas, afinal, de nos enriquecermos de uma forma que não seria possível há pouco tempo.
muito mais do que um meio de comunicação, é uma forma de partilha.
e essa é uma diferença incomensurável.
à distância de um clique que demora ... 1 segundo !!! :)
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Conversa em ritmo de tartaruga - como faz sentido

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Consegui ...

:)))))))))))))))))))
meti-me pelas matas do jamor, qual criança feliz.
efectivamente, correr por entre as árvores e nos trilhos tem algo de especial.
do treino de 1h20m, cerca de 1h foi de sobe e desce, no meio do arvoredo.
ia tão empenhado e contente, focalizado nos buracos e nos desníveis, que não reparei no maior.
fiquei com o pé esquerdo todo castanho até ao tornozelo. lama grossa, daquela que só vai descolar daqui a uns dias :)
ri a bom rir, sozinho, eu no meio da bicharada, que fazia os seus ruídos quotidianos entre as ervas, escondidos do bicho homem que só perturba.
como se não bastasse, antes deste belo treino, encontrei o meu amigo zé mario, homem dos triatlos e das corridas e bikes, que me disse, a propósito dos trilhos do pastor e das corridas em montanha, que isso sim, é o mundo da corrida em todo o seu tamanho - aí começa outra dimensão!
calculam que o meu apetite foi ainda mais aguçado.
falta 1 mês nuno k. e buda, vejam se treinam para me acompanharem :)
caso contrário, também os venho buscar, mas só depois da feijoada ...
eheheh!!!
ab
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
E já está ... uma águia de ouro
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
O meu companheiro de viagem - desde há 18 anos
fonte: http://www.shutterstock.com/conheci nesse dia o meu companheiro de viagem, que este ano atingiu (atingiria ???) a maioridade. foi tudo muito rápido, nem tivemos tempo para as angústias naturais na maturação das relações. foi descoberto (deu-se a descobrir) na parte da tarde de 5ª feira, na manhã seguinte quiseram levá-lo. ainda hoje não sabemos se está escondido (afinal nasceu como parte de mim, e nunca deixará de fazer parte de mim) ou se foi efectivamente aniquilado. é uma dúvida que nos acompanhará, estou certo, para sempre. mas é um bom companheiro. não tem dado trabalho. escondido ou não, raspagem completa ou não, está sossegadito e não causa distúrbios nem produz ruído desnecessário.
desta relação ficaram (permanecem ? …) muitas histórias e estórias. 18 anos é muito tempo. acresce o tempo em que se insinuou na nossa relação, sem que ninguém o soubesse – eu sentia-o, mas nem desconfiava. adaptei-me, durante meses, sentia-o, fazia uma pressão enorme para estarmos juntos, era teimoso. a dor era a minha reacção à sua iniciativa e persistência. e doía muito. mas nós humanos, adaptamo-nos a tudo. literalmente!
bom, tive muita sorte. o meu companheiro foi descoberto, analisado, retirado (?), estudado, na hora certa e no momento certo. com 21 anos (a idade dele ninguém a sabia ao certo, seriam também 21 ou menos, ou muito menos, …). estava alojado no cerebelo, e chamaram-lhe astrocitoma. disseram-me que era benigno (sim, acredito, pois caso não fosse, e com 21 anos, com

comprimia ferozmente o nervo óptico – coitado, estava preso, queria crescer e eu não o deixava. repito, afinal era uma parte de mim. talvez uma ovelhita negra, mas não deixava (não deixa ?) de ser parte de mim. até à cegueira passariam algumas horas, por “corte” no nervo óptico. a lesão seria definitiva. até ao coma, mais umas quantas – afinal aqui na caixa negra, as medidas não esticam, qualquer moço ou moça que se queira espreguiçar perturba a harmonia do resto do pessoal.
na altura não havia euromilhões, mas o meu jackpot saiu nesse dia. tive igualmente muita sorte por ter percebido a vida com 21 anos. há quem perceba antes, há quem a entenda pela mesma altura, outros depois, há quem nunca a entenda. eu lá estava e espero ter sabido receber essa dádiva da vida de braços abertos. espero, aliás, ser dela merecedor.
das muitas histórias e pensamentos alguns ficaram como mais marcantes:
- o melhor duche que tomei na vida foi nas instalações adaptadas para quem sofria de paraplegia. degradadas o quanto baste, fizeram-me chorar de alegria, no 5º dia após a cirurgia, pois o regresso à normalidade faz-se sempre pelas pequenas e mais básicas rotinas do quotidiano – um duche, por exemplo;
- com a cabeça aberta pelo serrote ou pelo berbequim em toda a zona occipital (nestes 18 anos o desenvolvimento científico atenuou, certamente, os meios intrusivos :), desde a parte de trás do pescoço até ao cimo da cabeça (tenho um cicatriz linda, bem direita, da qual me orgulho muito, uma verdadeira obra de arte), era apenas o “doente” mais saudável da enfermaria do piso 7, da neurocirurgia;
- tudo muda e quando muda o essencial, é muito rapidamente. as mudanças que contam acontecem num espaço muito curto de tempo. por isso devemos estar atentos a todas as oportunidades, que podem surgir ao virar do nada;
- assim que saí do hospital, após uma curta estadia de uma semana (como disse sou um felizardo) procurei desde logo a piscina. não foi por acaso que o instinto de sobrevivência me ditou que teria de estar em movimento. uns dias depois regressei à vida normal, graças à confiança que os meus pais em mim depositaram. foi a decisão certa.
- sempre me disseram que teria que voltar a ser operado, pois todos os indicadores apontavam nesse sentido. preparei-me durante 6 meses para uma batalha que nunca aconteceu. afinal havia (subsistem) dúvidas. senti-me defraudado; quem se prepara para a luta quer batalhar. mas com o tempo tudo se resolve. a serenidade volta sempre.
- o bom humor foi e é fundamental. mesmo nos momentos menos bons: mesmo quando não se sabe o que se deve dizer a uma mãe, à nossa frente, e é preciso contar que temos um tumor na cabeça, é importante pedir para desmarcar a consulta na dentista no dia seguinte, como aconteceu :). ou pensar durante a noite, de forma positiva, que aconteça o que acontecer, se vai sobreviver e pode acontecer ter que aprender braille – como também pensei. que haja algo de terreno, de bem humorado e de concreta resolução nos momentos que envolvem a angústia.
- quando me cruzo com algum pessoa que perdeu a visão nunca deixo de sentir a sorte que tive. geralmente é na forma de arrepio que me percorre todo. é talvez a minha forma de admirar quem vive nessas circunstâncias e de agradecer tudo o que me sucedeu.
- ao entrar numa aventura destas é forçoso confiar nas equipas médicas. é como entrar num avião. o controlo tem que ser partilhado e há que confiar em quem toma o comando. depois, há uma fase em que volta a ser nosso e depende da nossa vontade. apenas. e aí temos tudo a dizer e a fazer. a acção só depende de nós. de cada um.
- o resto, bom há tantas estórias para contar, que terá que ser noutra altura.
desculpem o desabafo, foi longo, mas era preciso.
quem chegou ao fim deste post apanhou com uma estrondosa seca.
isto tem que se levar devagar; agora já percebem um pouco melhor porque tento viver cada dia de forma mais sábia, como a tartaruga e porque gosto de correr muito tempo e muito devagar.
portanto: siga!
domingo, 22 de fevereiro de 2009
20 km de Cascais
fonte: http://www.orient-express.com/quando parei o cronómetro, marcava 2h43m50s. foi um bom treino longo. quentinho, pois a partir das 10 horas, nos 20 km de cascais, a temperatura foi subindo e o dia, esse estava excepcional. mas vamos por partes.
chip colocado, dorsal fixado, início do treino. eram 9h e 15m. rumei ao carro para beber um poweradezito, e segui pela avenida de sintra acima. pouco movimento, sempre a subir mas as subidas vão custando menos. o retorno lá em cima ao pé da bomba de gasolina. a temperatura aumentava. as moradias da avenida de sintra continuam com bom aspecto, bem tratadas, imponentes, apesar das décadas em cima. num pequeno “santuário” perto de alvide uma senhora ajoelhada oferecia flores a nossa senhora de fátima. o marido (?) aguardava em pé. apenas uma palavra respeitosa: o momento marcou-me pela devoção. à plena luz do dia, sob um sol brilhante, em cascais, achei-o muito bonito.
do edifício s. josé. encontrei o antónio almeida e começámos uma “palheta” que iria durar até aos 9 quilómetros, mais coisa menos coisa. a isabel e a vitória são uma simpatia, finalmente conheci-as e tive o privilégio de ficar na foto com o antónio, a vitória e com a ana pereira, que por ali aquecia.dada a partida, demorámos algum tempo a chegar à respectiva linha. muita gente, boa disposição e a sensação de que iria ser puxado, com calor e sem vento. um dia primaveril a tornar apetecível um mergulho. até aos cinco, seis quilómetros a passagem na bela vila de cascais, a trazer muitas das memórias de infância. o antónio lá me ia ouvindo a desfiar o “rosário” :)
finalmente a subida do antigo dramático de cascais e a entrada para a estrada do guincho. fomos falando a quatro (o antónio pinho estava com a ana, tive o prazer de o conhecer e de com os dois seguir até ao final: excelentes companheiros de corrida) e aos 9 km o antónio almeida seguiu no seu ritmo. fiquei com a ana e com o pinho, fazia calor, o ritmo era agradável e estava a desfrutar da companhia e do treino longo. maravilha, é o que posso dizer. simpaticamente o pinho passou-me um cubo de marmelada que soube muito, muito bem. já no regresso os primeiros iam passando por nós. aos 11 km cruzámo-nos com a carmo, que ia num bom ritmo. à nossa frente e com o dia limpo, desnudava-se a serra de sintra. belo! quase não havia vento e mudou ligeiramente de direcção, pois na viragem (no bidon que alguém levou para o cabo da roca :) ficou de frente. mas até era bem agradável. o mar do guincho estava calmo, com algumas ondas, lindas, lindas, com os seus véus ao vento. o mar azul chamava para um mergulho refrescante.
a ana seguia ligeiramente ofegante mas, nem era preciso dizer, seguiríamos até ao final. alguns companheiros foram-se juntando. um deles queixava-se da coluna, devido aos trabalhos de ontem na sua vinha. com piada o pinho referiu a qualidade certa do vinho deste ano :). o companheiro seguinte seguiu connosco até ao final (terei que ver o nome e actualizo depois). 57 anos na próxima semana. a prova de que o saber nunca ocupa lugar: aderiu ao programa novas oportunidades e anda em período de estudo apurado. lindo! sem mais! … é por isto que vale a pena viver devagar e aprender com todos com quem nos cruzamos. e existe algo de melhor do que ir quietinho e devagar numa corrida, longe das preocupações com o resultado, a beber do que as pessoas nos dão? não, nem de perto - sublime.
o.as despedidas e … esta será para mim uma corrida para lembrar.
obrigado à ana, aos antónios, ao companheiro quase aniversariante, aos que connosco foram conversando. Valeu!
OBRIGADO. até breve.
ab
sábado, 21 de fevereiro de 2009
O hálito como indicador
sobretudo na velhice, quando alguns medicamentos adulteram a normalidade fisiológica.
ab
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Parquímetro
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
As árvores da minha rua

no telhado do “health club” e a partir da janela estão marcados os pequenos regatos orvalhados, os resquícios da noite que acaba de se ausentar. o ciclo da renovação. a natureza tem o essencial todo escrito. o claro depois do escuro. o quente depois do frio. a calma após a intempérie.
- só vale a pena viver na linha da frente.
é aí que estão as vestes, para que cada um volte a vestir-se - de si próprio.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Longão em trilho
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Da escola primária ao ... Palhota
Análise de risco - fundamental
já melhor preparado ataquei-as com calma, seguro da empreitada.
desta feita não houve gazela e foram 12, mais 2 do que há uns dias. senti-me muito bem. a preparação segue de vento em popa.
a estupidez:
a luz não era muita, o trilho estava escuro. a vontade sobrepôs-se à análise do risco.
não estava molhado, nem escorregadio, nem sequer havia grandes perigos.
mas havia algum!
um pé mal colocado, um movimento em falso, e sairia uma lesão.
análise de risco: eis um recurso / ferramenta que os atletas devem sempre utilizar, não menosprezando nunca as condições envolventes.
correu bem ... podia não ter corrido.
bom fim de semana desportivo.
ab



