domingo, 18 de janeiro de 2009

O regresso aos longos

pelas 09h07m37s desta manhã tive a certeza do que correr significa e de quanto quero correr para me sentir bem. quero correr muito - em distância e ao longo da vida, livremente, como hoje.
a manhã começou cedo. 6 horas da manhã. custou a levantar, mas 10 minutos depois já tinha a certeza de que "vale sempre a pena" e de que existe uma recompensa. combinara com o nuno k. em carcavelos para o arranque pelas 07h30m.


a a5 e a marginal pareciam avenidas iluminadas. apenas via os candeeiros, pois o nevoeiro envolvia tudo o resto. chovia, miudinho mas daquela que vai molhando.
estacionado o carro, o nuno chegou de imediato. pontualidade britânica. ligeira preparação e lá avançámos em direcção a cascais. havia movimento já, ou ainda, àquela hora. a temperatura estava amena e pairava bastante humidade no ar. comecei a suar muito pouco tempo depois do arranque. subimos à praia das avencas e chegámos à bafureira.



sentia o meu ritmo ligeiramente acelerado para mim, pela falta de treinos longos. mas lá me aguentei. o nuno é um excelente companheiro, a conversa ia rolando a bom ritmo, tão bom quanto o ritmo do longo, e mal dei por nós, estávamos a entrar no paredão na praia da poça.


confirmámos a beleza do mar revolto, agressivo, inclemente, força bruta e sem subterfúgios. logo em carcavelos, e depois pela parede, s. pedro, s. joão, havíamos sentido a forte natureza ao longo de todo o trajecto. a espuma branca da rebentação fazia um manto que ocupava o que geralmente é areia no verão, fazendo de praia. o mar tinha as barbas de molho, barbas brancas, experientes, inamovíveis.


as ondas embatiam no paredão, chicoteavam e deixavam marca. colhíamos no ar a água da chuva e dos embates contínuos, arrasadores, da rebentação, em cada uma das rochas.
concluído o passeio no paredão voltei para o regresso na 2ª metade, na rua direita em cascais.
obrigado nuno, pelos excelentes 45m30s que me proporcionaste hoje.
à entrada do paredão, no regresso, bebi água na fonte aí colocada. segui apreciando a verdadeira beleza daquele mar. por vezes tinha que me chegar para "terra" para não apanhar uma molha. perto do tamariz ao consultar o relógio não reparei numa enorme poça de água e encharquei os pés. muito, muito desagradável, até porque ainda faltava um bom bocado para terminar. felizmente não houve bolhas.
ainda meti conversa com um pescador que imune à "tempestade" lá tentava a sorte, no meio da chuva e dos seus cigarros, cujo cheiro reconheci a dezenas de metros :(
de regresso à marginal segui no meio da chuva e encharcado pelos carros. em s. pedro ainda pensei em dar um beijo à mãe aniversariante de hoje, mas já não estava em casa. ficou para o almoço em família. na parede cruzei-me com a carmo, uma colega da equipa de natação da abve. as amizades de adolescência que nascem no seio de uma equipa desportiva ficam para a vida. combinámos que se me inscrevesse nos veríamos nos 20 km de cascais.
até carcavelos sempre a descer. no final, 1h37m37s após o início, a chuva aumentou, alonguei já com frio, a arrefecer e a trincar uma barra de chocolate, pois a fome era muita.

foi mais um dia excelente, plenamente aproveitado e o regresso ao longos (este sim, já contou como longo). que bem soube.
isto começa a aquecer.
ab

4 comentários:

Carlos Ferreira disse...

Temos atleta. A gozar os km´s e tudo o que o rodeia no máximo. Assim sim a vida vale a pena. Um abraço.

Anónimo disse...

Amigo
1h37m é obra. Estamos ai , temos atleta novamente. Um abraço.
A. Luis

Carlos Lopes disse...

Bom esse tempo .. em treino é obra, parabéns.

Anónimo disse...

Amigo
que bom que tudo está "correndo" como desejas, um grande prazer voltar a ler os teus relatos descritos com a mestria habitual.

Imagina que ontem também fiz um longo, em local diferente, em horas diferentes, mas o tempo foi muito idêntico ao teu, coincidências.

Continuação desses treinos e se não for antes vemo-nos em Cascais.
Abraço,
António