domingo, 25 de janeiro de 2009

Grande Prémio do Fim da Europa - em modo treino

saí pelas 8:40h de casa direito a alfragide, via carnaxide. finalmente percebi a enchente na bomba da bp de carnaxide aos domingos e no mac donald’s mesmo ao lado: a reunião dominical dos frequentadores da assembleia das testemunhas de jeová, paredes meias com cervejeira e com a bomba. trajados a rigor, lá iam e vinham a fazer tempo para o início da reunião. chegado à zona dos comandos da amadora/borel entrei no ic19 e tive um verdadeiro passeio até sintra. se fosse sempre assim, seria bastante agradável.

ao som da música do vitorino - tudo (o alentejo, lisboa, o amor) deleitei-me durante todo o trajecto. ouvi o 2º disco – lisboa, com canções como “leitaria garrett”, “flor de jacarandá”, “dia de passeio”, “marcha de alcântara”, “queda do império”. considero sempre maravilhosa a oferta que a vida nos dá de podermos desfrutar, na plenitude, da beleza da arte. é também em momentos destes que sou muito grato.



saí para o ic30 e rapidamente me achei junto ao tribunal de sintra. logo de seguida e rumo à zona da estação onde tinha combinado encontrar-me com o pedro o. buda e com o nuno k. foca, passei pelo museu berardo, centro olga cadaval e pela villa eugénia, uma verdadeiro hino à beleza, com o seu jardim. quando virei para a estação muitos atletas já estavam equipados a rigor em aquecimento, ou ultimavam os preparativos. o ambiente típico e apetecível das corridas de estrada. junto com os meus amigos iniciámos o aquecimento e dirigimo-nos para a linha de partida. eles tinham dorsal, eu não. a ideia era fazer um treino. a estratégia foi definida – eles não iriam fazer a prova toda, a meio da corrida, sensivelmente, voltaríamos para a zona do estacionamento.
muitas caras conhecidas na zona da partida: o tiago (estreante na maratona carlos lopes de 2008 onde o conheci) que lhe apanhou o gosto e já anda nas ultras, a rosa mota – a nossa flor campeã, frágil de aparência e ela mesma uma natureza tão forte, os companheiros de algés/linda-a-velha – paulo e miguel – que vão novamente fazer sevilha, depois de nos conhecermos no porto em 2007, o fernando andrade (que não me conhece mas a quem um dia destes vou dar um bacalhau), a ana pereira, e tantos outros.
passado o aquecimento e de manguinha curta, pois já sentia o quentinho do corpo, lá fomos ao tiro de partida. o vento e o frio rapidamente deram lugar ao suor do esforço em subida. imaginava ao que ia. não sabia que seria tão belo e revigorante. logo no início cumprimentei a ana: que bom ana! o regresso, pelo regresso e pelo sorriso, bonito e a aumentar o sorriso com que sintra nos brinda.

durante os 3 primeiros quilómetros, sempre a subir até ao cruzamento para o palácio e para o castelo dos mouros vivi um momento único, nunca antes experimentado: o silêncio era quase total, apenas a natureza e os passos. os atletas em comunhão partilhavam a dificuldade da empreitada. não eram necessárias palavras, nem sons. a partilha pelo silêncio e pelo esforço em vencer as subidas empurravam-nos a todos.




verde, muito verde, sintra em todo o seu esplendor, inenarrável.
lembrei-me de eça de queirós e "dos maias" (carlos da maia, maria eduarda, joão da ega e raquel cohen, dâmaso, …). a sintra, a bela sintra, paisagem e aconchego de algumas das mais belas letras dos mestres da nossa herança literária.













o ar é tão puro que me questionava porque não podemos viver em locais assim. devia ser um direito universal. passar por ali, em corrida, a andar, em visita, faz gostar ainda mais da vida.
após o cruzamento iniciámos o percurso em alternância, sobe e desce, mas mais em conta. algo igualmente belo foi a variedade de cores da indumentária de inverno, com os equipamentos de cores fluorescentes, alegres, um arco íris em movimento. quilómetro e quilómetro íamos respirando a pureza e desfrutando da vista em tons de verde. o sol ajudava, rompendo e abrilhantando o caminho. o nuno e o pedro mais à frente, eu mais lentinho. após os 7 quilómetros e talvez duzentos metros, resolvemos virar. o trajecto fez-se bem, novamente até ao cruzamento do castelo dos mouros. fui cumprimentando e gracejando com as bocas dos companheiros. novamente a ana com uma expressão sorridente, aparentando que faz isto todos os dias, apesar do recomeço recente. a tarimba, a tarimba :)
quando questionado pelo nuno, anuí em seguirmos pelo castelo dos mouros e pelo palácio. fui praxado. na fábula que gracejámos conjuntamente: o buda (pedro o.), a foca (nuno k.) e o tartatuga (moi-même), a foca praxou o tartaruga :). foi o preço a pagar por temos andado tão lentinhos, eu e o pedro.
ainda apanhámos umas valentes subidas e depois foi o massacre final para as pernocas e para os pezinhos e tendões: a descida a “pique” em calçada.
mas lá fui com os meus companheiros e o nuno redimiu-se, ao mostrar-me a casa onde viveu hans christian andersen em 1866 na sua passagem por portugal. tal como todas as das redondezas, apetece de imediato tratar da papelada para nos mudarmos para ali. paradisíaco.


até ao final tudo normal, com mais um acto sádico da nossa foca mestra: passar por dentro, junto às 2 piriquitas. o cheiro até me incomodou :) tal era a fome.

os turistas já animavam mais as ruas, embora olhassem para nós meio de lado. afinal … que tipos tão estranhos. terminado o treino, após 1h49m e 16,5 km segundo o gps do nuno, o leite com chocolate e a barra restabeleceram-me os níveis mínimos e souberam a caviar. era hora de arrancar para casa.
obrigado nuno e pedro – foi talvez o melhor e o mais bonito treino da minha vida.
ab

6 comentários:

Carlos Lopes disse...

Ola Antonio

Deixo os meus parabéns pelo pelo relato deste prova. Na minha opinião prova única em Portugal, pela paisagem e dificuldades da mesma. E parabéns pela prova. abraços.

Nuno disse...

Olá Antonio
Excelente descrição do percurso, fabuloso mesmo. A minha preocupação é mais nos adversários.....competição a quanto obrigas -:).
É um dos locais que mais adoro treinar, serra de sintra. Como estou a 10 minutos da serra, frequentemente treino por lá, eis alguns locais de eleição;Parque da Pena, Vale dos lagos, Santa Eufémia, Capuchos.
Todo aquele verde deixa qualquer ser humano deslumbrado.
um Abr

Anónimo disse...

excelente relato amigo, continuação de bons treinos.
abraço,
antónio

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Obrigada António pelas palavras que me dirige... quase que fico... assim...sem jeito.

Gostei muito de o ver, e agora... de o ler.

Sintra é mesmo linda.

Um beijinho e uma boa semana

Ana Pereira

Fernando Andrade. disse...

Caro amigo AB
"Encaminhado" pelo NK vim dar ao seu extraordinario apontamento que relata, de forma soberba, o cenário em que se desenrolou o GP Fim da Europa. Foi pena o "bacalhau" ter sido adiado, pois teria o maior prazer. Mas, voltando ao seu texto, feito por quem conhece bem a terra que pisa, eseu estilo bem humorado,deixou-me maravilhado. Parabéns.
Grande abraço.
FA

o Editor disse...

Temos de repetir mais vezes. Julgo que a "foca" irá conseguir arranjar outros trajectos com "spots culturais"
PO