o meu ídolo na ciclo via do guincho é um atleta com aspecto nórdico, sequinho e que corre sempre ao mesmo ritmo. aparenta uns 60 anos e deve estar naquele estádio em que quando começa a correr já nem tem que se preocupar com cadências, pois as pernas já sabem ao que vão. cruzamo-nos quando treino aí ao domingo de manhã e presumo que parte no sentido guincho-->cascais, pois quando nos voltamos a cruzar regressa no sentido contrário.
eu já não ia para aquelas bandas há uns bons 6 meses e ontem lá o vi.
quando for grande quero ser assim!
ab
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
domingo, 2 de setembro de 2007
Semana 11/18
hoje pelas 10h10' à porta do casino do estoril terminei o longão da semana 11.
estava literalmente amassado (como se fosse passado a ferro por um comboio, por exemplo). parecia ter feito uma plástica: tentava sorrir e mexia a perna direita, fazia um esgar de dor e lá subia o braço esquerdo.
foram 29km, 2h48', a ritmo de 5'47". talvez esteja a exagerar um pouco no ritmo, atendendo ao que está planeado para fazer na maratona. mas as pernas vão comandando e de vez em quando olho para o cardio, está ligeiramente acima do que desejava; as maganas já têm o ritmo e .. olha é deixar seguir!
saí do casino do estoril bem cedinho, pelas 7h22m. no paredão percebi a beleza de dia que acabava de nascer. a baía de cascais acordava lentamente, serena, o mar chão, convidativo. três estrangeiros, malta nova, já haviam mergulhado e nem tiritavam cá fora. algumas pessoas já caminhavam e/ou corriam. num pulinho passei pela rua direita, câmara de cascais, quartel, marina e aí estou na ciclo via. vento contra embora moderado. todo o percurso até ao guincho é lindo e pude desfrutar de um início de manhã maravilhoso. foi seguir em frente até ao final da ciclo via no guincho, retomar mais à frente rumo ao parque de campismo, e virar na rotunda da quinta da marinha.
(nota extra: ainda pensei em ir a casa, aquela moradia enorme com o relvado onde treino séries quando deliro, tomar uma bebida gelada, mas o segurança não me deixaria entrar naquele estado ;-)))
virei com 1h24' (talvez com 14km e 600m pelos meus cálculos no google earth - sim sou convencional, ainda gasto tempo a medir percursos manualmente - acho os sistemas gps caros para as minhas necessidades e esse dinheirinho pode ser empregue para comprar coisas mais necessárias cá em casa).
no regresso tudo bem até retomar a ciclo via junto à praia do guincho. com a ligeira subida e o vento lateral comecei a sentir as pernitas. o cardio havia também subido ligeiramente
(alguns pormenores importantes:
- ontem estive numa festa de anos. dormi cerca de 4h e meia. o "enchimento" também não foi o mais adequado.
- esta semana foi a mais volumosa do plano de treinos; com o treino de hoje e de 5ªf fiz mais do que uma maratona completa e ainda tive 2 dias com cerca de 9km cada
- foram 2 grandes longos consecutivos numa semana, não tendo dado muitas tréguas ao corpo para recuperar - a partir da próxima semana os longões serão sempre alternados o que ajudará certamente a performance).
o cansaço era mais do expectável.
a partir da 1h45' foi penoso. tive que apelar à mente para conseguir manter o esforço, em sacrifício. tentei focalizar-me em tudo menos nas pernas. creio que consegui. acabei muito cansado, mas mais forte. arrastei-me até ao carro e percebi que não tinha trazido nada extra para comer nem beber no após - estúuuuupido ...!
alonguei, desapareci dali e na bomba à entrada da a5 meti um magnum classic dos grandes, e emborquei quase meio litro de água fresquinha. aí sim, senti-me em condições de regressar a casa.
o resto da manhã foi passado na rua com as crianças (uuuffff!) e agora aqui estou a rever o treino - deram-me uns minutos de tréguas ;-)
esta fase do treino é dura, muito dura. dá muito gozo, mas também muitas dores.
mas o que não nos tomba (também o que nos tomba, certo?) fortalece-nos e vamos embora que se faz tarde para iniciar a semana 12.
---
4ªf - 55'
5ªf - 1h25'
6ªf - 55'
Domingo - 29km (podem ter sido mais uns pós), 2h48', 5'47"/km.
---
grande, grande vanessa fernandes. impressionante exemplo de força, capacidade, talento e humildade.
---
abraço
ab
sábado, 1 de setembro de 2007
Orientação para o cliente
no âmbito da política de qualidade de serviço deste blogue procuro guiar-me pelo credo da focalização inexcedível nas necessidades, expectativas e requisitos dos visitantes/utilizadores.
desta forma, todas as sugestões, reclamações e reivindicações são tratadas em modo fifo (first in - first out).
fica explicada a nova mudança no layout. creio ter voltado ao template original a pedido de 2 queridos amigos e visitantes. mas acreditem-me ... já não tenho bem a certeza, já passaram muitos quilómetros e a memória vai perecendo no asfalto.
obrigado à td e ao rl por visitarem o blogue e participarem na sua dinamização.
como foram os primeiros a sugerir podem escrever um post à vossa vontade, à borlix ;-)))
fica dado o mote para uma relação mais intercactiva com a comunidade visitante.
bfs
ab
desta forma, todas as sugestões, reclamações e reivindicações são tratadas em modo fifo (first in - first out).
fica explicada a nova mudança no layout. creio ter voltado ao template original a pedido de 2 queridos amigos e visitantes. mas acreditem-me ... já não tenho bem a certeza, já passaram muitos quilómetros e a memória vai perecendo no asfalto.
obrigado à td e ao rl por visitarem o blogue e participarem na sua dinamização.
como foram os primeiros a sugerir podem escrever um post à vossa vontade, à borlix ;-)))
fica dado o mote para uma relação mais intercactiva com a comunidade visitante.
bfs
ab
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Maratonas pobres
há um fenómeno relacionado com maratonas e maratonistas que me confunde. nas grandes competições, como recentemente na maratona dos mundiais de osaka, normalmente os desempenhos são mais pobres.
até aí chego. não são, geralmente, competições talhadas para recordes. as estratégias, o pódio e outras variáveis sobrepõem-se a outras fantasias (nem sempre terá sido assim, parece-me …).
mas aquilo a que assistimos este ano extravasa em muito o expectável (por mim, pelo menos).
os tempos finais foram muito fracos. os atletas portugueses (chaiça e ornelas, nomeadamente) ficaram muito distantes do seu melhor.
entendo que a maratona é uma prova muito longa e sujeita a inúmeros factores que podem condicionar os atletas. entendo que a temperatura, a humidade, a tipologia do percurso, etc., condicionam as marcas.
quando terminei a minha única maratona até ao momento também fiquei aquém das minhas expectativas. mas eu sou amador (inho), sou o tartaruga.
esta malta é profissional, depende disto para viver e treina muitos milhares de quilómetros para estar em condições nestas competições. e então? porque não estão?
porque é que quase nunca respondem na hora “h”, com boas, muito boas ou excelentes, marcas finais? até pode haver medalhas e etc. mas os tempos, os tempos …
se acontecesse uma vez por outra. mas a sensação que tenho é que estes “falhanços” – nas marcas, friso novamente - se repetem nas grandes competições.
---
no sentido oposto: grande, enorme, fantástico nelson évora
ab
até aí chego. não são, geralmente, competições talhadas para recordes. as estratégias, o pódio e outras variáveis sobrepõem-se a outras fantasias (nem sempre terá sido assim, parece-me …).
mas aquilo a que assistimos este ano extravasa em muito o expectável (por mim, pelo menos).
os tempos finais foram muito fracos. os atletas portugueses (chaiça e ornelas, nomeadamente) ficaram muito distantes do seu melhor.
entendo que a maratona é uma prova muito longa e sujeita a inúmeros factores que podem condicionar os atletas. entendo que a temperatura, a humidade, a tipologia do percurso, etc., condicionam as marcas.
quando terminei a minha única maratona até ao momento também fiquei aquém das minhas expectativas. mas eu sou amador (inho), sou o tartaruga.
esta malta é profissional, depende disto para viver e treina muitos milhares de quilómetros para estar em condições nestas competições. e então? porque não estão?
porque é que quase nunca respondem na hora “h”, com boas, muito boas ou excelentes, marcas finais? até pode haver medalhas e etc. mas os tempos, os tempos …
se acontecesse uma vez por outra. mas a sensação que tenho é que estes “falhanços” – nas marcas, friso novamente - se repetem nas grandes competições.
---
no sentido oposto: grande, enorme, fantástico nelson évora
ab
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Eco-Via Algarvia

a treinar ou de bicicleta descobri a eco-via algarvia.
é uma excelente ideia.
basicamente é uma ligação entre vila real de santo antónio e sagres/vila do bispo, constituída quer por troços urbanos, quer rurais.
nos treinos que aí realizei deleitei-me com a paisagem e o ar puro que me recebiam de manhã cedo. bom "feeling"!
explorei a zona entre cabanas de tavira e cacela velha. para o outro lado, rumo a tavira, consegui explorar de bicicleta com a miudagem.
a correr ... não passei, em duas tentativas, de uma certa curva perto da nova "etar" de cabanas, pois tinha que conviver sempre com o mesmo cão a ladrar furiosamente e que galopava em direcção a mim, pronto a devorar-me as canelas.
foi sempre o mesmo: virar e dar à perna, com um spint portentoso no meio de treinos a rolar.
a eco-via é um conceito bastante interessante, turisticamente falando. não foi por acaso que me cruzei com vários estrangeiros/turistas a caminhar ou a correr ao longo desses percursos.
e deu-me logo uma ideia que, quem sabe, se pode tornar uma aventura: fazer a eco-via em modo ultramaratona, por etapas.
vamos ver como corre o porto e o projecto seguinte que já germina por baixo desta carequita e ... percorrer a eco-via de ponta a ponta vai ser muita giro! está lançada a ideia. vejamos se tenho engenho para cativar camaradas e levar a bom porto a empresa.
com calma, serena e pausadamente, pensarei no caso.
abraço
ab
terça-feira, 28 de agosto de 2007
A céu aberto
no domingo:
havia passado stª apolónia já há um bom pedaço e estava junto aos pilares que sustentam o viaduto em direcção ao parque das nações.
corria numa estradeca paralela à principal no sentido cais do sodré --> expo, onde se encontravam paradas algumas camionetas e "arrumados" vários contentores. seguia distraído com o cronómetro e com a pulsação. estava na altura de virar, já tinham passado 1h22'.
de repente ... sou surpreendido: saído das profundezas dos carris ao lado da estradeca e mesmo ao meu lado ergueu-se um homem de calças na mão.
ainda cheirava à intensa, complexa e certamente volumosa poia que acabara de plantar no meio da linha férrea, em plena capital do país que assegura actualmente a presidência da união europeia.
há muito, muito trabalho a fazer, no nosso cantinho iludido.
bons treinos
ab
havia passado stª apolónia já há um bom pedaço e estava junto aos pilares que sustentam o viaduto em direcção ao parque das nações.
corria numa estradeca paralela à principal no sentido cais do sodré --> expo, onde se encontravam paradas algumas camionetas e "arrumados" vários contentores. seguia distraído com o cronómetro e com a pulsação. estava na altura de virar, já tinham passado 1h22'.
de repente ... sou surpreendido: saído das profundezas dos carris ao lado da estradeca e mesmo ao meu lado ergueu-se um homem de calças na mão.
ainda cheirava à intensa, complexa e certamente volumosa poia que acabara de plantar no meio da linha férrea, em plena capital do país que assegura actualmente a presidência da união europeia.
há muito, muito trabalho a fazer, no nosso cantinho iludido.
bons treinos
ab
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
A relatividade da massa (magra e gorda)

tudo é de facto relativo.
um dos meus priminhos (priminho porque quando nasceu eu já era um adulto barbudo de 15 anos :-)) terminou este ano a sua 2ª volta a portugal em bicicleta.
corre na equipa do duja - tavira, que teve um desempenho bastante meritório, quer do ponto de vista individual de alguns dos atletas, quer colectivamente.
o rapaz é uma jóia. uma jóia alta (mais de 1,80m) e magra.
em conversa numa festa de anos de outro priminho que fez 4 anos, disse-me que pesava 54 Kg e que tinha 4% de massa gorda.
como calculam tive que duplicar a ingestão do maravilhoso bolo de bolacha com que me banqueteava, para me recompor do choque.
mas ... podemos sempre ir mais fundo:
disse-me ainda que, como a equipa ia competir na volta à bulgária, precisava de perder mais 1 Kg e reduzir a massa gorda para 3%.
lá fui à 3ª fatia do bolo de bolacha, pois pensei que estava com problemas de audição e comer mais um pouco ajudaria.
não me parece, como leigo, que uma coisa destas faça bem à saúde. até porque esta malta ingere suplementos de vária ordem, apenas fazem 2 refeições de jeito durante o dia (pequeno almoço e jantar), pedalam 5 ou 6 (ou mais em alguns dias) horas diariamente, enfim ...
em conversa com um querido amigo e colega de trabalho (que também anda numa de dieta para caber no fato do casório - o patego ...) fez-se luz e o amigo ct deu-me a solução: o meu primo vai tirar um dente chumbado e uma coroa para perder o seu quilito ;-)
abraço e nada de preocupações excessivas com o peso, pois um dia ainda podemos precisar da percentagem de massa gorda que hoje pretendemos erradicar do sistema solar.
ab
domingo, 26 de agosto de 2007
Semanas 7 a 10/18, metade + 1 e o regresso
terminei há pouco o treino longo da semana 10.
2h45’a 5’50/km, num total de 28km e uns pós.
estou escavacado mas globalmente bem. sobretudo bem disposto. começa a sentir-se o efeito das 10 semanas de treino. e isso motiva. motiva ver que para um mesmo ritmo a frequência cardíaca é mais baixa, ou que se consegue correr a ritmos mais elevados mantendo a mesma frequência cardíaca de há umas semanas.
regresso ao blogue após 1 mês de ausência. as ausências são benéficas quando se devem a motivos positivos. foi o caso. 3 semanas de férias, num período de descanso que permitiu driblar as rotinas profissional e pessoal.
por sorte coincidiu com o período de aumento de volume no percurso para o porto e deu para, de uma forma geral, correr de manhã bem cedo, estar com a família o resto do dia. primeiro na praia, depois dormir a incontornável sesta e ao final da tarde a recrear-nos em actividades várias em família, entre as quais, de vez em quando, mais uma remessa de banhocas e boa praia.
a partir de amanhã o regresso à labuta.
algumas histórias vieram na bagagem. serão contadas com calma, oportunamente.
fica o resumo das semanas 7 a 10, pois um dos objectivos do blogue é deixar as pegadas de todo o percurso rumo à linha da meta na maratona do porto – pode ser que o registo do progresso de um atleta tartarugueiro ajude a motivar os mais renitentes em aderir às corridas.
boas corridas para todos e até breve.
ab
- - -
semana 7
4f – 48’
5f – 1h17’ com 11,5 km a 5’30”/km
sábado – 47’
domingo – 2h20’ – 22,5 km
semana 8
2f - 30' natação na praia
3f – 48’
5f – 1h15’
6f – 48’
domingo – 2h30’ - 25 km, um excelente treino, senti-me muito bem.
semana 9
2f - 30' natação na praia
4f – 48’
5f - 1h12’ com 11,5 km a 5’25”/km, outro excelente treino, as pernas andaram sozinhas, efeitos do treino que se começam a notar
6f – 49’
domingo – 1h46 - 18 km, 5’55”/km, muito bom treino
semana 10
2f - 30' natação na praia
4f – 48’
5f – 1h22’ com 13km a 5’27”/km, outro excelente treino, o efeito do treino a consolidar-se
sábado – 49’
domingo – 2h45’ – 28km400m 5’50’’/km, um bom treino, embora as pernas no final se ressentissem
2h45’a 5’50/km, num total de 28km e uns pós.
estou escavacado mas globalmente bem. sobretudo bem disposto. começa a sentir-se o efeito das 10 semanas de treino. e isso motiva. motiva ver que para um mesmo ritmo a frequência cardíaca é mais baixa, ou que se consegue correr a ritmos mais elevados mantendo a mesma frequência cardíaca de há umas semanas.
regresso ao blogue após 1 mês de ausência. as ausências são benéficas quando se devem a motivos positivos. foi o caso. 3 semanas de férias, num período de descanso que permitiu driblar as rotinas profissional e pessoal.
por sorte coincidiu com o período de aumento de volume no percurso para o porto e deu para, de uma forma geral, correr de manhã bem cedo, estar com a família o resto do dia. primeiro na praia, depois dormir a incontornável sesta e ao final da tarde a recrear-nos em actividades várias em família, entre as quais, de vez em quando, mais uma remessa de banhocas e boa praia.
a partir de amanhã o regresso à labuta.
algumas histórias vieram na bagagem. serão contadas com calma, oportunamente.
fica o resumo das semanas 7 a 10, pois um dos objectivos do blogue é deixar as pegadas de todo o percurso rumo à linha da meta na maratona do porto – pode ser que o registo do progresso de um atleta tartarugueiro ajude a motivar os mais renitentes em aderir às corridas.
boas corridas para todos e até breve.
ab
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semana 7
4f – 48’
5f – 1h17’ com 11,5 km a 5’30”/km
sábado – 47’
domingo – 2h20’ – 22,5 km
semana 8
2f - 30' natação na praia
3f – 48’
5f – 1h15’
6f – 48’
domingo – 2h30’ - 25 km, um excelente treino, senti-me muito bem.
semana 9
2f - 30' natação na praia
4f – 48’
5f - 1h12’ com 11,5 km a 5’25”/km, outro excelente treino, as pernas andaram sozinhas, efeitos do treino que se começam a notar
6f – 49’
domingo – 1h46 - 18 km, 5’55”/km, muito bom treino
semana 10
2f - 30' natação na praia
4f – 48’
5f – 1h22’ com 13km a 5’27”/km, outro excelente treino, o efeito do treino a consolidar-se
sábado – 49’
domingo – 2h45’ – 28km400m 5’50’’/km, um bom treino, embora as pernas no final se ressentissem
terça-feira, 31 de julho de 2007
Crenças e causas
é um momento que me impressiona.
todos os anos, por esta altura, cruzo-me com a multidão que acorre ao estádio nacional.
umas vezes logo de manhã cedo, quando termino o treino matinal. outras, como na passada 6ªf, quando fico numa fila à saída da a5 e até ao estádio principal, vendo a massa a dispersar depois de um dia de intenso calor, em que estiveram num estádio que imagino ter estado bem moldado, a dar vida às actividades, orações, preces, cânticos, à sua crença e fé.
é um espectáculo muito bonito, a ida para, e a vinda da, cerimónia.
pessoas de todas as cores, estratos sociais, com motivações certamente díspares, afluem a um belo recinto, enquadrado numa paisagem de sonho – um estádio construído no meio de uma mata, onde ainda se respira a natureza no seu esplendor.
são aos milhares. velhos, novos, crianças. trajados a rigor, como se estivessem a chegar a um casamento. a cor é um elemento marcante: vestes de cerimónia, vestidos típicos de variadas etnias e culturas africanas e outras que não sei identificar, que emprestam ao jamor uma janela de vida e de multi-culturalidade, um forte sentimento de integração entre a natureza e o ser humano.
as lancheiras numa mão, pastas na outra, filhos ao colo das mães, jovens em passo célere contrastando com a calma e serena passada, quer das mulheres, quer dos mais idosos.
não sei exactamente a que igreja pertencem. procurei na internet mas não fui bem sucedido.
mas o que mais me impressiona é esta massa de gente mobilizada por uma causa.
sim, porque só uma causa forte consegue mobilizar tantas pessoas desta forma, sob um clima tórrido.
sou ateu. dos convictos. acredito no palpável, e para o bem e para o mal, no ser humano.
a minha fé é muito terrena. não acredito em algo superior, porque penso que se existisse o mundo não poderia ser como é. existiria, concerteza, mais justiça e maior protecção para quem nunca fez mal a ninguém.
não sou melhor nem pior do que ninguém. por ser ateu esforço-me muito para respeitar as crenças dos outros, guardando os juízos de valor para mim, pois as crenças são, antes de mais, de carácter pessoal e íntimo, e passíveis de respeito e de tolerância por parte de todos.
não deixo todavia de observar com algum espanto a fé das pessoas e as causas que as movem desta forma. se todas as forças que mobilizam estas pessoas forem direccionadas para o “bem” (este é sempre um conceito perigoso) talvez o mundo melhore um pouco em cada dia.
ab
domingo, 29 de julho de 2007
Semana 6/18

foto (tavira e o rio gilão): http://www.pbase.com/diasdosreis/image/52348190
foi uma semana meio estranha, na continuação da anterior.
não tive arte nem engenho para fazer o cross training mas o núcleo duro do treino fez-se.
foi necessário ziguezaguear durante a semana, por causa dos compromissos da labuta. assim:
3ªf - 41' a rolar
5ªf - 1h05' quase a desfalecer
6ªf - 31' só para recuperar e mostrar ao corpo que o dia anterior foi um acidente, um delírio!
hoje - 1h35', a rolar entre 6' e 6'10"/km.
inicia-se agora o 2º terço do plano. o volume vai aumentar consideravelmente.
começa a ganhar importância o planeamento dos treinos mais longos, já entre as 2h20' e as 3h15', sensivelmente, podendo ter ligeiros ajustes em função do ritmo a que conseguir correr.
quer a hora de início (será sempre muito perto das 6h da manhã atendendo ao elevado calor), quer a hidratação, quer a ingestão de powergel ou afins serão fundamentais.
---
hoje fui reconhecer terreno para os treinos longos dos próximos fins de semana. a família ficou em cabanas de tavira. eu vou indo e vindo até às férias, mas os próximos 4 domingos serão passados lá e por isso há que testar.
parti de cabanas pelas 6h45'. a temperatura ainda estava agradável, não havia muito trânsito na 125, fui correndo muito bem até ao momento da viragem, na ponte romana em tavira (ver foto) (eu inclino-me mais para que seja uma ponte medieval, com resquícios de arquitectura romana, mas não sou expert ... de todo!) (para obter mais informação sobre tavira).
um pouco antes tinha-me cruzado com dois jovens cambaleantes na zona da pista de ciclismo de tavira. naturalmente regressavam de uma boa farra de sábado à noite/domingo de manhã.
no regresso ainda os apanhei. eu de um lado da estrada, já em tronco nú, com 1h de corrida, a pingar por todos os poros. eles do outro lado, prestes a atalharem pelo meio do campo:
- está sóbrio? - pergunta-me o primeiro dos jovens, alto moreno e de olhos ainda abertos.
- estou ... às vezes - respondi com um sorriso e já a olhar para trás.
ele riu-se. em simultâneo a voz do segundo jovem:
- tás é cuma ganda moca meu!
ri-me, continuei o treino e quando cheguei a casa partilhei o encontro com a malta no meio da risota. de facto é sempre bom ouvir uma pergunta tão simples para a qual a resposta nem sempre é linear: correr a um domingo, com uma caloreira algarvia, pelas 6h45' da manhã é estar sóbrio? não sei quem estaria mais, mas quer eu, quer eles estaríamos concerteza bem naquele momento.
acabadinhos de chegar à ilha de cabanas, estava ainda a pousar a mochila, quando olho para o lado e vejo duas caras conhecidas. não pude deixar de sorrir. dirigi-me a eles:
- bom dia. lembram-se de há pouco me terem perguntado se estava sóbrio?
olharam com algum espanto, riram-se e trocámos "high-fives". desejámos uma boa praia, reciprocamente.
só voltei a vê-los de pé já na hora da nossa saída, logo após o meio dia.
levantaram-se, rumaram ao banho e talvez tivessem conseguido acordar. acredito que devam ter tido um sono santo, durante 2h e meia.
há maratonas para todos os gostos.
não deixei de sorrir ao rever a vida que levava em férias há 20 anos.
boa semana
ab
não tive arte nem engenho para fazer o cross training mas o núcleo duro do treino fez-se.
foi necessário ziguezaguear durante a semana, por causa dos compromissos da labuta. assim:
3ªf - 41' a rolar
5ªf - 1h05' quase a desfalecer
6ªf - 31' só para recuperar e mostrar ao corpo que o dia anterior foi um acidente, um delírio!
hoje - 1h35', a rolar entre 6' e 6'10"/km.
inicia-se agora o 2º terço do plano. o volume vai aumentar consideravelmente.
começa a ganhar importância o planeamento dos treinos mais longos, já entre as 2h20' e as 3h15', sensivelmente, podendo ter ligeiros ajustes em função do ritmo a que conseguir correr.
quer a hora de início (será sempre muito perto das 6h da manhã atendendo ao elevado calor), quer a hidratação, quer a ingestão de powergel ou afins serão fundamentais.
---
hoje fui reconhecer terreno para os treinos longos dos próximos fins de semana. a família ficou em cabanas de tavira. eu vou indo e vindo até às férias, mas os próximos 4 domingos serão passados lá e por isso há que testar.
parti de cabanas pelas 6h45'. a temperatura ainda estava agradável, não havia muito trânsito na 125, fui correndo muito bem até ao momento da viragem, na ponte romana em tavira (ver foto) (eu inclino-me mais para que seja uma ponte medieval, com resquícios de arquitectura romana, mas não sou expert ... de todo!) (para obter mais informação sobre tavira).
um pouco antes tinha-me cruzado com dois jovens cambaleantes na zona da pista de ciclismo de tavira. naturalmente regressavam de uma boa farra de sábado à noite/domingo de manhã.
no regresso ainda os apanhei. eu de um lado da estrada, já em tronco nú, com 1h de corrida, a pingar por todos os poros. eles do outro lado, prestes a atalharem pelo meio do campo:
- está sóbrio? - pergunta-me o primeiro dos jovens, alto moreno e de olhos ainda abertos.
- estou ... às vezes - respondi com um sorriso e já a olhar para trás.
ele riu-se. em simultâneo a voz do segundo jovem:
- tás é cuma ganda moca meu!
ri-me, continuei o treino e quando cheguei a casa partilhei o encontro com a malta no meio da risota. de facto é sempre bom ouvir uma pergunta tão simples para a qual a resposta nem sempre é linear: correr a um domingo, com uma caloreira algarvia, pelas 6h45' da manhã é estar sóbrio? não sei quem estaria mais, mas quer eu, quer eles estaríamos concerteza bem naquele momento.
acabadinhos de chegar à ilha de cabanas, estava ainda a pousar a mochila, quando olho para o lado e vejo duas caras conhecidas. não pude deixar de sorrir. dirigi-me a eles:
- bom dia. lembram-se de há pouco me terem perguntado se estava sóbrio?
olharam com algum espanto, riram-se e trocámos "high-fives". desejámos uma boa praia, reciprocamente.
só voltei a vê-los de pé já na hora da nossa saída, logo após o meio dia.
levantaram-se, rumaram ao banho e talvez tivessem conseguido acordar. acredito que devam ter tido um sono santo, durante 2h e meia.
há maratonas para todos os gostos.
não deixei de sorrir ao rever a vida que levava em férias há 20 anos.
boa semana
ab
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Treino estúpido
foi o de ontem. e espero que seja o único treino estúpido no plano para o porto. porque quem repete a estupidez é estúpido 2 vezes e isso já seria um pouco pior.
passo a explicar:
não me dou bem com ares condicionados. 4ªf tive uma deslocação profissional a aveiro. íamos 5 pessoas numa carrinha. naturalmente e face ao calor, o ar condicionado foi ligado, pois era muita respiração junta. no regresso a coisa tornou-se deveras intensa. comecei a sentir a garganta a picar e uma ligeira pinganeira do nariz.
nessa noite não dormi muito bem. acordei de madrugada e só tive tempo de aplicar um spray homeopático fantástico para a garganta (que me livrou de boa, pois foi mesmo a tempo).
de manhã estava melhor da garganta mas num estado meio mole.
por volta da hora do almoço decidi treinar. era o treino forte da semana, 10 km a ritmo de maratona. como estavam quase 30 graus pensei em trocar com o treino de hoje, mais leve.
mas “passei-me” um bocado e vai daí fiz 1h05’ em plena pista nº 2 do jamor, com 10 km a ritmo de 5’35”. 10 km a andar às voltas numa pista sob a torreira dos 30 graus por volta das 13 horas. uma verdadeira estupidez.
não acabei bem, naturalmente, muito cansado e feito num oito. quando terminei estava um braseiro na pista. nem o ligeiro vento servia de atenuante.
os senhores que andavam a jardinar e a arranjar a relva devem ter pensado que há malucos para tudo.
e pronto. valeu que tive o cuidado de ir hidratando ao longo do treino e durante a tarde perdi a conta à água que bebi.
hoje estou um pouco escavacado, mas fez-se.
todos temos direito aos momentos de estupidez, quando a cabeça pára e desliga e vem das entranhas a decisão de fazer asneiras.
mas está feito e não vale a pena chorar sobre o molhado.
a caminhada continua.
abraço
ab
passo a explicar:
não me dou bem com ares condicionados. 4ªf tive uma deslocação profissional a aveiro. íamos 5 pessoas numa carrinha. naturalmente e face ao calor, o ar condicionado foi ligado, pois era muita respiração junta. no regresso a coisa tornou-se deveras intensa. comecei a sentir a garganta a picar e uma ligeira pinganeira do nariz.
nessa noite não dormi muito bem. acordei de madrugada e só tive tempo de aplicar um spray homeopático fantástico para a garganta (que me livrou de boa, pois foi mesmo a tempo).
de manhã estava melhor da garganta mas num estado meio mole.
por volta da hora do almoço decidi treinar. era o treino forte da semana, 10 km a ritmo de maratona. como estavam quase 30 graus pensei em trocar com o treino de hoje, mais leve.
mas “passei-me” um bocado e vai daí fiz 1h05’ em plena pista nº 2 do jamor, com 10 km a ritmo de 5’35”. 10 km a andar às voltas numa pista sob a torreira dos 30 graus por volta das 13 horas. uma verdadeira estupidez.
não acabei bem, naturalmente, muito cansado e feito num oito. quando terminei estava um braseiro na pista. nem o ligeiro vento servia de atenuante.
os senhores que andavam a jardinar e a arranjar a relva devem ter pensado que há malucos para tudo.
e pronto. valeu que tive o cuidado de ir hidratando ao longo do treino e durante a tarde perdi a conta à água que bebi.
hoje estou um pouco escavacado, mas fez-se.
todos temos direito aos momentos de estupidez, quando a cabeça pára e desliga e vem das entranhas a decisão de fazer asneiras.
mas está feito e não vale a pena chorar sobre o molhado.
a caminhada continua.
abraço
ab
domingo, 22 de julho de 2007
Semana 5/18
a 5ª semana foi atribulada mas cumpriu-se.
3ªf: 30' de natação para relaxar, fiz 1600m.
4ªf: 40' até à beira rio e voltar a casa.
5ªf: 1h05', com 10 km em 1h no jamor, com uma paisagem bela e com um vento forte.
sábado: o treino de 6ªf foi adiado para ontem. 41' no jamor com um vento desagradável. tive que parar 2 vezes para tirar poeira dos olhos.
hoje: 2h05, a 6'/km entre casa e o cais do sodré. (obrigado ao carlos f. e pedro t. na hora da viragem no cais do sodré e especialmente ao carlos pelo ritmo baixinho que me permitiu ter companhia durante cerca de 2 km e qualquer coisa, na volta até alcântara).
sugestão de leitura (li há cerca de 1 ano e hoje voltei a ver-lhe a lombada - é interessante):
o movimento slow - carl honoré

site de carl honoré: http://www.inpraiseofslow.com/slow/index.php
ab
sábado, 21 de julho de 2007
Poesia: Brasil x Cuba, Pan-Americanos 2007
Foto:http://www.GLOBOESPORTE.COM
http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL73248-3882,00.html
na 5ªf, por acaso, o meu amor mais novo, o andré, fez um zapping e parou no canal brasileiro. como é tão vidrado em desporto como eu parou imediatamente e ficou atento.
perguntou-me que jogo era aquele. eu havia chegado a casa há muito pouco. contextualizei-me e lá mencionei a final do voleibol feminino dos jogos pan-americanos 2007.
o que se seguiu foi pura poesia. basta atentar-se nos parciais e no equilíbrio para ver como foi sofrido o resultado e como foi disputada a peleja.
Brasil 2 x 3 Cuba (27/25, 22/25, 25/22, 32/34 e 15/17)
foi um jogo emocionante a que tive o privilégio de poder assistir com os meus filhos (o rodrigo nem tanto, :-), estava a ler e ia dando uma olhada quando nós mais vibrávamos, o seu mundo é feito de outras maravilhas, tem outros "desportos", é mais criatividade e invenções).
ainda assim consegui aproveitar a beleza e a emoção do momento para tentar passar mais algumas mensagens que entendo fazerem parte do ofício de pai.
sim foi mesmo poesia aquilo a que assitimos. entrega total. a selecção cubana esteve por 6 vezes na mira da derrota. conseguiu sempre virar o jogo. nunca renunciou à luta, não reconheceu a palavra desistência ou derrota.
sim houve uma equipa vencedora. mas perante tamanha entrega e brio ninguém perdeu naquele jogo. ambas as equipas saíram de cabeça bem ao alto.
continuo a emocionar-me com alguns fenómenos desportivos. na 5ªf assim aconteceu. e é assim que em momentos de emoção sentimos ser felizes por um bocadinho. ou por mais um bocadinho. no final da contagem, caso se somem todos os bocadinhos, talvez possamos olhar o caminho e dizer: afinal fomos felizes! após observar os pratos da balança.
ab
quinta-feira, 19 de julho de 2007
A maratona da vida
foto (monte everest): http://www.pt.wikipedia.orggosto de treinar para a maratona (é um sentimento válido para qualquer corrida, em qualquer distância, naturalmente) porque retrata muito bem os desafios que temos que enfrentar na vida, e porque nos ajuda a elevar-nos perante os medos e as incertezas. é uma das melhores formas de auto-ajuda que conheço. no final do trajecto, seja qual for o resultado, sabemos ser mais capazes.
- no início decidimos que queremos e avançamos. muitas vezes quase inconscientemente, sem saber muito bem onde nos estamos a meter. caso contrário, se entrássemos sempre no conhecido, que graça teria???
- depois surgem sempre as naturais dúvidas e angústias. serei capaz? estes treinos são duros, doem-me as pernas, falta-me o ânimo de quando em quando, estou a hipotecar tempo para dedicar a outras pessoas e a outras actividades – eis um recurso precioso e que se esgota com muita facilidade, não renovável. terminarei? acredito que sim, mas a que ritmo e com que tempo final? estarei a treinar meses sem conta para no final ter uma desilusão?
- com o processo de treino e com a aprendizagem do corpo e da mente, começamos a ultrapassar limites que julgaríamos inacessíveis. por exemplo, ontem fiz um treino pequenote, 40’, lentos. o lento agora já vai sendo abaixo dos 6’/km, o que significa que nesta 5ª semana já começo a ver alguns resultados da malhação anterior. e assim vamos ganhando confiança.
- ainda assim, o medo vai estando lá. nunca desaparece, felizmente, pois como li em tempos numa entrevista com o ruy de carvalho, com 80 anos sentia tanto medo ao entrar em palco como quando tinha 20. o que temos é estratégias mais apuradas e ferramentas mais oleadas para lidar com ele.
- finalmente chegaremos à meta. instala-se o vazio. sinto-o sempre que termino um livro de que gosto, que me prendeu a atenção e que não me deixava dormir, sinto-o quando estamos sentados a uma mesa com amigos, com vinho tinto e petiscos e queremos que esse pedaço de vida não termine mais. sinto-o sempre que concretizo algum objectivo. há então que olhar para trás, sorrir, reflectir, estabelecer novos objectivos e olhar para a frente.
- sempre!
porque a vida nunca anda para trás. anda sempre para a frente. contudo um pormenor importante é saber desfrutar do presente (que não existe mas do qual nos podemos alimentar ilusoriamente). é que se nos deixarmos enredar entre o passado e o futuro nunca desfrutamos das nossas conquistas e a vida deixa de ter sabor e é apenas stresse, pelo que não fizemos e pelo medo do que virá.
abraço
ab
terça-feira, 17 de julho de 2007
Porque a morte faz parte da vida
gravura: http://digfish.mine.nu/sampage/index.php?seccao=hist http://digfish.mine.nu/sampage/index.php?seccao=pesca
aparentemente este post não tem nada a ver com o treino para a maratona do porto. na realidade, tem tudo a ver.
ontem tive que regressar a cabanas de tavira pelos piores motivos: a morte de uma mulher que me é muito querida. falo sempre dos que me são queridos e morrem, no tempo presente. nem consigo utilizar a expressão "os que partem". eles não partem. ficam connosco e mesmo fisicamente conseguimos sempre senti-los. conseguimos rir-nos, chorar, corar, entristecer, quando trazemos a recordação bem próxima do limiar físico. por isso os amamos e pelo amor que lhes temos os sentimos e continuamos com a sua presença na nossa vida.
a tia gracinda, irmã da minha avó materna, foi colhida por uma cornada da vida há cerca de 11 anos. mulher de garra, era sempre a primeira a dar vida à casa, madrugada precoce, e a última a fechar os olhos para um pequeno período de repouso. décadas a fio habituei-me a vê-la levar toda a família ao colo. era um vendaval, uma ria formosa que habitava a ria formosa. uma espécie sã, um coração de uma incomensurável dimensão, que deveria ter sido protegido das leis pouco lógicas com que a vida se encarrega de reger algumas existências.
foi um avc. de início sem grandes mazelas e com perspectivas de recuperação. pelo meio e no final, uma vida arrastada entre a cadeira de rodas e a cama (mais aqui nos últimos tempos). com todo o sacrifício, dor, sofrimento, impotência e humilhação que a vida, em alguns casos, impõe aos inocentes.
mas houve luta, resistência, batalhou até ao final.
curiosamente há 2 semanas, quando estive de férias, falei com a tia. na 5ªf - dia 05/07. na 6ªf entrou em coma. o destino deu-me esse pequeno "brinde": poder beijá-la uma última vez e ver o seu sorriso, agora o vislumbro, de despedida.
despedimo-nos sorrindo. com amor. com um carinho infinito.
a lição de vida da tia, os gestos de amor que teve para comigo e para com os meus, o exemplo de luta, sofrimento e compromisso com a vida, a persistência, são o que tenho comigo ao longo do caminho, incluindo também o da maratona do porto.
tia, com muito carinho lhe deixo uma gravura das cabanas dos pescadores das armações (talvez da armação da abóbora, onde se fez guerreira). habituei-me, pela minha mãe, avós, por todos vocês, a ouvir as histórias de quem ganhava a vida na pesca do atum e "emigrava" sazonalmente para as armações (ver história de cabanas de tavira e pesca do atum).
porque a vossa luta me ajudou a crescer, um grande obrigado e até já.
ab
ontem tive que regressar a cabanas de tavira pelos piores motivos: a morte de uma mulher que me é muito querida. falo sempre dos que me são queridos e morrem, no tempo presente. nem consigo utilizar a expressão "os que partem". eles não partem. ficam connosco e mesmo fisicamente conseguimos sempre senti-los. conseguimos rir-nos, chorar, corar, entristecer, quando trazemos a recordação bem próxima do limiar físico. por isso os amamos e pelo amor que lhes temos os sentimos e continuamos com a sua presença na nossa vida.
a tia gracinda, irmã da minha avó materna, foi colhida por uma cornada da vida há cerca de 11 anos. mulher de garra, era sempre a primeira a dar vida à casa, madrugada precoce, e a última a fechar os olhos para um pequeno período de repouso. décadas a fio habituei-me a vê-la levar toda a família ao colo. era um vendaval, uma ria formosa que habitava a ria formosa. uma espécie sã, um coração de uma incomensurável dimensão, que deveria ter sido protegido das leis pouco lógicas com que a vida se encarrega de reger algumas existências.
foi um avc. de início sem grandes mazelas e com perspectivas de recuperação. pelo meio e no final, uma vida arrastada entre a cadeira de rodas e a cama (mais aqui nos últimos tempos). com todo o sacrifício, dor, sofrimento, impotência e humilhação que a vida, em alguns casos, impõe aos inocentes.
mas houve luta, resistência, batalhou até ao final.
curiosamente há 2 semanas, quando estive de férias, falei com a tia. na 5ªf - dia 05/07. na 6ªf entrou em coma. o destino deu-me esse pequeno "brinde": poder beijá-la uma última vez e ver o seu sorriso, agora o vislumbro, de despedida.
despedimo-nos sorrindo. com amor. com um carinho infinito.
a lição de vida da tia, os gestos de amor que teve para comigo e para com os meus, o exemplo de luta, sofrimento e compromisso com a vida, a persistência, são o que tenho comigo ao longo do caminho, incluindo também o da maratona do porto.
tia, com muito carinho lhe deixo uma gravura das cabanas dos pescadores das armações (talvez da armação da abóbora, onde se fez guerreira). habituei-me, pela minha mãe, avós, por todos vocês, a ouvir as histórias de quem ganhava a vida na pesca do atum e "emigrava" sazonalmente para as armações (ver história de cabanas de tavira e pesca do atum).
porque a vossa luta me ajudou a crescer, um grande obrigado e até já.
ab
domingo, 15 de julho de 2007
Semana 4/18
hoje foi dia de longão. o primeiro verdadeiramente digno desse nome.
partida do casino pelas 7:30. estavam cerca de 18,5 graus e a temperatura manteve-se quase constante até ao final. o ideal para treinar. o dia de praia é que ficou estragado para muita gente. mas a água devia esta um espanto.
1h59', a cerca de 6'/km.
ainda tive tempo para uma gracinha, um treino com a 2ª parte mais rápida, a cerca de 5'49''/km, mesmo contra o vento que soprava de frente, no regresso do guincho.
foi um dos melhores treinos de que me lembro. senti-me sempre muito bem, o percurso é de sonho, o mar estava apetecível, tudo ok.
tive a felicidade de me ir cruzando com inúmeros companheiros de estrada. começou pela carmo pinto, antiga colega das lides da natação, que de vez em quando vejo nas meias maratonas e que também está ligada ao mundo do triatlo. eu ia com 5' de treino, a chegar ao paredão do tamariz e ela vinha de cascais já bem suadita. a que horas terá começado?
também me cruzei com o luís jesus, que ia numa grande pedalada na ciclovia do guincho. cerca da 1h15' aparecem o carlos e o pedro t. em ritmo moderado (para eles claro ;-). tínhamos combinado encontrar-nos no final do treino e assim aconteceu. um prazer, o cunbíbio final. ainda me cruzei coom o manuel ramos, triatleta recente que parece ter ganho embalagem e lá ia de bicla, 1º no sentido de cascais e depois no regresso. devia ir aí na 3ª ou 4ª volta ;-)
esta 4ª semana foi muito boa.
4ªf: cerca de 40' lentos.
5ªf:o treino de que falei no post anteiror.
6ªf: mais 41' lentos.
hoje: o prazer do longão. foi daqueles treinos em que daria para seguir em frente até acabar, quem sabe, com 42 km. boas sensações!
vamos para a 5ª semana.
bons treinos e um abraço.
ab
sábado, 14 de julho de 2007
5ªf custou
o treino de 5ªf merece uma nota especial. custaram, quer o treino, quer o acordar.
treino: 1h15', com 55' em ritmo de maratona. fiz 10 km em 55'. é curioso como fazemos autênticas provas em treino e nem damos por isso quando o objectivo é "master".
saí de casa pelas 6h45' e fui para junto ao rio. a única nota negra é o negro da poluição no regresso, já com muito movimento, autocarros e afins.
uma boa é cruzar-me com outros atletas já tão cedinho.
outra boa é deleitar-me com os pregões da venda de todo o tipo de artigos em plena rampa na estação de algés. um espectáculo, de cor, vida e animação.
acordar: custou. acordo normalmente antes do despertador e nesse dia foi por volta das 5h50'. por momentos senti a sensação corporal, tão apetecível, de diferir o treino para outra hora (não saberia qual, pois não havia agenda nesse dia ...). felizmente logo desandou.
e porquê?
porque, para além do compromisso pessoal, do objectivo forte, da conquista desejada, da batalha por cumprir, há muitas outras fontes de motivação que nos fazem sair da cama, mais ou menos rapidamente e daí a uns minutos agradecer à manhã as manhãs como a de 5ªf:
- a malta cá de casa. é um acto de amor receberem em plena organização matinal um fulano que acaba de correr, encharcado e com cheirinho. ainda estão a acordar e entra-lhes um vendaval de poluição sudorípara pela casa.
- os gafistas, que fisicamente ou em espírito estão sempre a motivar, sempre partilhando esta sólida mas lenta aventura.
- os amigos que mandam bocas e piropos e que nem imaginam o quanto me motivam.
- os bloguistas: também não fazem ideia da fonte de motivação que representam. não desejo ser injusto mas vou referir alguns dos que mais me motivam e por onde navego um pouquito sempre que posso: o rodrigo silva com a sua fibra, o andré alves como seu ritmo e versatilidade, a amazona ana paula, a vitalidade e os joelhos da lénia (;-), atenção que nunca estive sequer fisicamente perto, nada de malícias), a lutadora ana pereira, a minha querida amiga claudia, o grande e master e guru e amigo nuno k., o ironman sérgio marques, o agora igualmente ironman luís enrique.
treino: 1h15', com 55' em ritmo de maratona. fiz 10 km em 55'. é curioso como fazemos autênticas provas em treino e nem damos por isso quando o objectivo é "master".
saí de casa pelas 6h45' e fui para junto ao rio. a única nota negra é o negro da poluição no regresso, já com muito movimento, autocarros e afins.
uma boa é cruzar-me com outros atletas já tão cedinho.
outra boa é deleitar-me com os pregões da venda de todo o tipo de artigos em plena rampa na estação de algés. um espectáculo, de cor, vida e animação.
acordar: custou. acordo normalmente antes do despertador e nesse dia foi por volta das 5h50'. por momentos senti a sensação corporal, tão apetecível, de diferir o treino para outra hora (não saberia qual, pois não havia agenda nesse dia ...). felizmente logo desandou.
e porquê?
porque, para além do compromisso pessoal, do objectivo forte, da conquista desejada, da batalha por cumprir, há muitas outras fontes de motivação que nos fazem sair da cama, mais ou menos rapidamente e daí a uns minutos agradecer à manhã as manhãs como a de 5ªf:
- a malta cá de casa. é um acto de amor receberem em plena organização matinal um fulano que acaba de correr, encharcado e com cheirinho. ainda estão a acordar e entra-lhes um vendaval de poluição sudorípara pela casa.
- os gafistas, que fisicamente ou em espírito estão sempre a motivar, sempre partilhando esta sólida mas lenta aventura.
- os amigos que mandam bocas e piropos e que nem imaginam o quanto me motivam.
- os bloguistas: também não fazem ideia da fonte de motivação que representam. não desejo ser injusto mas vou referir alguns dos que mais me motivam e por onde navego um pouquito sempre que posso: o rodrigo silva com a sua fibra, o andré alves como seu ritmo e versatilidade, a amazona ana paula, a vitalidade e os joelhos da lénia (;-), atenção que nunca estive sequer fisicamente perto, nada de malícias), a lutadora ana pereira, a minha querida amiga claudia, o grande e master e guru e amigo nuno k., o ironman sérgio marques, o agora igualmente ironman luís enrique.
- os visitantes deste blogue, familiares, amigos, conhecidos, ou viajantes, que são uma razão de peso para avançar.
com o compromissso de nunca desistir!
a todos o meu obrigado pela inspiração. estou a chegar aos 25% do caminho nesta aventura e o vosso exemplo será naturalmente fundamental para chegar a bom porto.
abraço
até amanhã para o reporte técnico semanal ;-).
ab
p.s. - nova cara, mais quente, veraneante, a chama do verão. espero que gostem.
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Compromisso - Nunca desistir
profissionalmente é-me bastante útil.
pessoalmente incentiva nas batalhas do dia-a-dia.
para maratonistas é uma excelente leitura.
tem tudo a ver, embora aborde a gestão de equipas e do colectivo e a liderança e motivação de equipas.
mas os traços e raízes da luta e da conquista, sejam individualmente, sejam colectivamente, estão todos lá.
abraço
ab
domingo, 8 de julho de 2007
Semana 3/18
confesso: as férias foram um espectáculo, mas senti falta do blogue e de estar ligado.
é muito curioso como esta ferramenta comunicacional se tornou, com pézinhos de lã, uma necessidade, tão fundamental como todas as outras que nos permitem comunicar.
o máximo que consegui foi passar por uma leitura rápida do mail, dos comentários e sacar uns documentos :-(
bom .. dizia que a semana foi fantástica. um tempo de sonho (para quem gosta de praia como nós), verão algarvio, aquele quente com prenúncio de levante (que chegou na 6ªf), o calor do estreito, que veio vindo e que queimava só de respirar o ar na rua, a seguir ao almoço.
sou dos que gostam e praticam a praia de manhã cedo, regresso antes do meio-dia, almoço, sesta (fundamental) e depois ao final da tarde logo se vê.
nesta semanita fiz cada sesta ... daquelas que quando há algo que nos desperta parece que todos os sinos, de todas as catedrais, nos explodem com os ouvidos.
fenomenal.
e quando me aventurava a sentir o calor em cabanas de tavira, digamos que entre as 14 e as 17h, fugia logo para dentro de casa.
treinos:
3ªf, cerca de 30' + 50' de cross training, bicicleta, com o andré (o rodrigo está numa colónia de férias com um amigo, com 9 anos já goza períodos da vida longe dos papás, o que faz bem a todos ;-)
4ªf um treino ligeiro, de 40', pelas 7h da manhã (já com o sol a aquecer ...), lado a lado com a ria formosa - com o cheiro da ria de cabanas e da ribeira do almargem. inenarrável. gostei ainda de constatar que me cruzei com umas 7 pessoas, áquela hora da manhã, a fazer o seu jogging ou caminhada. mais feliz fiquei.
5ªf, novamente pelas 7h da manhã, o treino forte da semana, 1h08', com 46' a ritmo de 5'30''/km. fui pela nacional 125, pois é o único local que tinha marcos quilométricos para me regular (daqueles antigos, marcados de 100 em 100m, uma pérola). correu muito bem. apanhei com alguma fumarada, mas fez-se bem, a estrada tem bermas largas, a malta ia acenando, tudo ok. apenas um encontro imediato com uma cobra, daquelas que andam no meio da vegetação seca e que decidiu chegar-se ao pé da estrada para snifar uns tubos de escape. mas foi pacífico.
6ª f, repeti a 4ªf, mas senti-me mais cansado, naturalmente. na escala de borg teria uma percepção de esforço mais intensa.
domngo, treino "longo", leve, 1h05', senti-me muito bem. há dias assim: parece que as pernas vão sozinhas e nos deixam a cabeça livre para voar. foi fixe, embora com um calor logo pelas 8 da manhã que não deixou nada a desejar aos algarves.
e já vão 3.
abraço
até breve
ab
domingo, 1 de julho de 2007
Semana 2/18
a 2ª semana já foi despachada.
no post anterior mencionei os 3 treinos, de 40', 1h e 40' até sábado.
hoje fiz 1h35'. senti-me bem, embora um pouco cansado do dia de ontem. com tanta actividade em simultâneo, as pernas ressentiram-se. no final do treino estava bem em termos de cardio e respiratórios, mas percebi (quando fiz o checking no google earth) que o ritmo tinha sido para o lentito (mais ou menos 6'30''/km). tudo fixe, estes 1ºs treinos longos servem mesmo para habituar o corpinho e não para ir depressa.
o único incidente foi um abalroamento por uma bicicleta, que felizmente não terminou em atropelamento.
perto da torre de belém, antes da bomba da bp, há uma curva sem qualquer visibilidade, ainda mais agora que está totalmente tapada por causa das obras que aí decorrem.
em pleno passeio deparo com uma bicicleta que vinha a curvar, bem para cima de mim. dei um salto para o lado, consegui agarrar no volante e ajudei o ciclista a não cair.
pediu-me desculpa e lá seguimos. reparei em mais um pormenor: não trazia capacete ;-(.
agora sigo para cabanas de tavira, 1 semanita de férias. bem perto a cidade mais linda do mundo: tavira.

foto (tavira): www.olympia.fortunecity.com
abraço
uma boa semana de treinos.
ab
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