domingo, 18 de julho de 2010

Repouso Activo

nas últimas semanas, entre “marcor” e corrida apenas, o sábado e o domingo tem sido dias sempre certos para este repouso activo.
têm sido 2 a 3sessões por semana, com a mais longa entre 1h15m e 1h30m. ontem e hoje lá segui novamente. ontem pela mata do jamor para aproveitar as sombras. 1h de sobe e desce. hoje entre miraflores, algés-mar, cruz quebrada, jamor e linda-a-velha, 1h15m. e os pormenores, sempre novos para quem tem andado por outros locais. nomeadamente em algés-mar e cruz quebrada.

com o calor a apertar o pessoal quer é praia. e se há uns anos a poluição e etc. e tal, afastavam as pessoas desta água do tejo, hoje surpreendi-me: quer em algés, quer na cruz quebrada, pelas 9h da manhã, já as praias estavam com muitos banhistas.
e as vozes de quem conhece a zona, à medida que eu ia passando, falavam umas com as outras, referindo que pelo meio dia estariam apinhadas.
pois é, crise, calor e talvez … acredito, uma menor poluição no tejo, nesta zona, fazem com que o mergulho seja imune aos possíveis micro-organismos. afinal de contas, sempre fomos um povo com tradição marítima e a água corre-nos no sangue. o repouso activo aqui por estas bandas continua em grande forma, devagarinho lá segue, sempre a bombar.


ah! e no jamor, é delicioso ver a quantidade de gente que ali caminha, corre, anda de bicicleta, faz o circuito ao ar livre, leva as crianças ao parque infantil e para os relvados, um colorido bonito e que mostra a obra no complexo do jamor a ser utilizada por quem dela deve efectivamente usufruir.









planos: para já, para quê? está-se tão bem assim :))) venham as férias, passem as férias, venham novidades ou não, a Rita quase a chegar, e aí sim, depois, de tudo talvez surjam planos. mas não deixo de piscar o olho aos trilhos de monsanto, no final de agosto creio.
até breve bom exercício.
ab - tartaruga

domingo, 11 de julho de 2010

Vamos lá Espanha!!!

fonte



torço pela ESPANHA sim senhor!!!

não sei se o vaticínio do visionário polvo estará certo ...
mas torço pela espanha por questões emocionais e racionais.


nas emocionais encontro talvez a proximidade mediterrânica e uma certa simpatia pelos espanhóis - gosto deles, pronto, assumo!


nas racionais:
futebol, basquetebol, ténis, atletismo, andebol, natação, canoagem, etc., etc., etc. ...


desde há 30 anos o desporto foi elevado a designio estratégico ali pelas bandas dos "nuestros hermanos". atenção: escrevi desporto e não futebol!

e como sou um fãn do planeamento, da estratégia, dos resultados pensados a longo prazo


e não,


fruto do acaso ou da sorte, ou das individualidades,


e como acredito no do trabalho em equipa, na "máquina oleada" a funcionar com adaptabilidade às mudanças em todos os envolvimentos,


voto na espanha!


e ficarei feliz se forem campeões do mundo.

porque trabalharam arduamente e mostraram, como mostram em inúmeras áreas, uma consistência que resulta de algo pensado, planeado, algo susceptível a fracassos (veja-se que aindano euro 2004, falando de futebol, eliminámos a espanha nos quartos de final) mas que não se esgota no fracasso, antes perdura para além dele, com lições aprendidas e com vontade de fazer melhor.


força espanha e obrigado pelo exemplo múltiplo, em tantas áreas, da vontade em melhorar e em ter mais qualidade.

o resto - por exemplo, os resultados a nível desportivo - vem sempre por acréscimo.


abraço
ab

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Marcor (ou marcha-corrida)

marcor é um excelente conceito.
sobretudo nos dias que correm, ou que "andam", soa melhor :)
com tanto calor, e tantos perigos para a saúde, marchar e correr alternadamente tem-me feito as delícias.
em 1º lugar vamos avançando na duração da sessão de forma gradual e sempre com objectivos intermédios: terminar o quinhão de marcha ou de corrida e passar ao seguinte.
em 2º lugar, cansa muito menos - no fds realizei 2 sessões, uma de 50m no sábado, outra de 1h10m no domingo, a horas pouco decentes (10h e 11h), com mais de 35 graus, e a coisa até se fez com calma. as pernas agradeceram, pois nem se ressentiram. cansamo-nos muito menos e desfrutamos do mesmo tempo de exercício.
em 3º lugar podemos brincar com a relação entre marchar e correr, como nos apetecer: ou 3+3, ou 2+4, ou 3+4, ou, ou, ou, ... é consoante a disposição e as condições envolventes. uma espécie de fartlek, com menos intensidade.
em 4º lugar ... não me lembro, mas vou pensar durante a próxima sessão de marcor.
e claro está, em 5º lugar, vamos preparando o corpo e a cabeça para as estratégias das corridas de trilhos e montanha, que envolvem sempre, no meu caso pelo menos, marcha e corrida.
ou como me explicou o guru moutinho em almourol, o segredo das grandes provas de montanha para atletas medianos está na marcha e não na corrida.
saúdinha da boa, boas corridas ou caminhadas ou repouso com ingestão de muitos líquidos ... sobretudo cuidado porque está calor a sério.
abraço
ab - tartaruga

domingo, 4 de julho de 2010

O medo, o “reflexo”, a montanha e o impacto na vida de todos

leio um livro interessante sobre o medo, a mudança e as organizações nos tempos modernos:



medozero de pilar jericó.

as raízes do medo e do stresse, as várias formas de medo, pessoal e “organizacional”, a “insustentável” mudança, tão necessária e ameaçadora em simultâneo, a rapidez com que tudo muda e a nossa limitada capacidade de gestão de todas as mudanças que nos rodeiam e envolve. e o sentir, antes do saber e do decidir, o triunfo dos “actos reflexos”, do “instinto” e das algemas das raízes límbicas, que nos deixam reféns dos sentimentos (leituras de referência em damásio, goleman, luís lourenço, o amigo de josé mourinho no seu último livro bastante interessante –

mourinho: descoberta guiada”, …).

as estratégias para dar a volta aos medos, em 1º lugar os individuais, a seguir os organizacionais. logo de seguida, caminho aberto para a inovação e para a consequente mudança. reequacionar tudo, sempre, reinventar; afinal, o medo como alavanca e não como barreira ou prisão. ou como escreveu andy groove o lendário presidente da intel, “só os paranóicos sobrevivem”.


ou noutra perspectiva, as zebras que não sentem stresse porque não antecipam, dado que apenas sentem medo na presença do predador – temos que aprender algo com as zebras, e não antecipar cenários que podem não acontecer!
finalmente, o gigante adormecido que acorda – a china – 1 em cada 5 pessoas no mundo é chinesa, pressupondo eu que esse rácio aumenta se falarmos de população activa trabalhadora; e com as características que todos conhecemos de capacidade e velocidade de trabalho, mão de obra gerida pelo “medo”, baixa qualificação, economia de escravidão e sobrevivência; e os impactos na economia global e na vida de todos os profissionais que vêem o seu dia-a-dia ameaçado devido à concorrência “inovadora” – já não consigo escrever desleal, porque as regras do jogo mudaram de facto e cada vez há menos regras, pelo menos nos padrões habituais.

e à margem do livro mas relacionado com o tema (em meu entender), a derrota do gana perante o uruguai, com um penalti falhado no último minuto do prolongamento. e o comentário do comentador – mais um que é mais comentarista do que outra coisa! – que referia a deslealdade e a injustiça de um golo que daria o apuramento ao gana e que foi evitado por um jogador uruguaio, luís suarez, com a mão, sobre a linha de golo,

de forma ilegal e anti-desportiva.

talvez fosse importante tentar perceber que naquele momento, aquele jogador fez o que qualquer um de nós provavelmente faria, “instintivamente” meteu as mãos à bola, primeiro porque a sua equipa, ele próprio, estavam ameaçados, aquele golo ditaria a derrota e o regresso a casa; segundo porque a bola vinha na direcção da cara e naturalmente – quanto a mim - meteu as mãos à bola, num “acto reflexo”. afinal, tal como nas maravilhosas repetições que podemos observar na televisão, em que conseguimos ver um bailado fascinante em câmara lenta, os corpos dos jogadores em perfeito sincronismo, e … os olhos sempre fechados de cada vez que cabeceiam a bola, pois é um “acto reflexo”; quando um objecto nos atinge ou nós atingimos o objecto existe essa reacção reflexa de defesa e preservação – tal como colocar as mãos à frente da cara, ou afastar o objecto – bola – quando vai entrar na baliza e ameaça a “minha integridade”.
depois, a estrela ganesa que falha esse penalti, e o desfecho no desempate por penalties, favorável ao uruguai – curiosamente com a mesma estrela ganesa a chegar-se à frente e a assumir a marcação do 1º penalti do gana, no desempate, e com sucesso, num gesto e comportamento exemplares de coragem, determinação e gestão do “medo”.
duas facetas do medo, duas formas de enfrentar o medo, duas formas tão humanas de tentar ultrapassar as barreiras que nos aprisionam em cada nova situação.

talvez a noção mais importante seja a de que é necessário conhecermo-nos muito bem, aos nossos medos, para melhorarmos as nossas respostas às situações que nos angustiam, que nos geram medo. poderemos, quem sabe, minimizar o impacto nefasto na nossa, e nas vidas dos que nos rodeiam.

para concluir, e que tal experimentar uma corrida de montanha, uma situação nova para quem nunca experimentou, ou colocar novos desafios e fasquias a quem já por lá anda, enfim, desafiar a zona de conforto e ultrapassar mais uma nova situação? o transfer para o dia-a-dia pode não ser fácil ou imediato, mas a aprendizagem será certamente possível e talvez mais duradoura do que se pensa.

é que quando existe medo, a memória física tem um papel importante. e se tivermos experiências físicas em que ultrapassámos o medo, recriamos essa positividade e esses momentos de conquista.

abraço
ab - tartaruga

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sacos de compras


porque é que as maiores consequências para a saúde chegam geralmente partir de pequenos incidentes do dia-a-dia?
sejam continuados, sejam isolados, normalmente assim é.
e no sábado não foi excepção.
2 sacos de compras, relativamente pesados, mais do que deveriam estar ...
apesar de alguns cuidados, bastou um pequeno jeito, naquela fracção de segundo ...
e pimba, senti a chicotada a açoitar-me toda a zona lombar!

mas como a experiência ajuda, 1 hora deitado de barriga para baixo, mais uma pincelada de spray frio "picalm", mais uma tentativa (manhosa e pouco conseguida) de mentalizar o relaxe pela coluna abaixo, e lá me levantei.

agora serão uns dias de caminhada, apenas, para retomar a actividade de forma controlada.
a seguir, sacos de compras, mais à base de rodinhas e com menos peso em cada.
por fim, reforçar os grupos musculares que nos ajudam posturalmente.
este último é sempre o maior desafio ...!
tal como no post de ontem, também ... estupidamente, fica sempre para o fim e só nos relembramos dele quando o "ladrão" aparece e as trancas voltam a surgir na porta.

abraço
AB - Tartaruga

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Amigos e Treinos


na passada 5ªf prontinho para um treino, ia a sair do trabalho perto das 18h45m, ainda a tempo de uma corridita no jamor.
lembrei-me de passar pelo poiso de um Amigo e colega.
conversa puxa conversa, foi-se o treino.
felizmente, neste caso, pois pusemos alguma conversa em dia, o que, estupidamente, não conseguimos frequentemente, apesar de sermos bons Amigos e de trabalharmos na mesma organização.

comentávamos isso mesmo quando saímos em conjunto.
absorvidos pela máquina que nos consome os dias na labuta, vamo-nos deixando seguir e ser controlados pelo tempo.
há que melhorar! a gestão do tempo, das prioridades e das urgências. não custa tentar.

abraço.
bom fim de semana.
ab - tartaruga

domingo, 27 de junho de 2010

Qualidade das transmissões televisivas



há uma semana passei por um dos canais, não me lembro qual, onde transmitiam em directo uma corrida no Porto.
a locutora, jovem certamente, com um promissor futuro, comentava a prova referindo que:

"aí vêm os atletas da frente, passando neste momento com cerca de 28 minutos de corrida, não conseguimos ver os seus nomes no dorsal ... vêm bastante suados, nota-se o esforço, seguem em grande velocidade, ..."

e etc etc etc.

o atletismo não tem grande tempo de antena, tal como todas as modalidades, com excepção do eterno futebol e, cada vez mais, do futsal.
com uma qualidade nos comentários deste calibre, provavelmente por parte de uma jovem em início de carreira que poderia estar, tanto a comentar atletismo, como as festas de s. joão no porto, polivalente e generalista, naturalmente sem responsabilidade por não ter mentores à séria e um plano estruturado de evolução na sua carreira, não será muito difícil prever que também não é por esta via que se divulga com qualidade e profissionalismo uma modalidade tão carente de visibilidade.



enfim!
vamos correndo, que já não é mau.
abraço
AB - Tartaruga

sábado, 26 de junho de 2010

Ehunmilak ou as 100 Milhas do País Basco



fonte

pois é ...
a imagem vale por muitas palavras.
a participação, então, não deve ser traduzível por palavras.
admiro os heróis que se fazem à cruzada.

mais informação AQUI.

até breve.
AB - Tartaruga

domingo, 13 de junho de 2010

E quando a família ...


... tem mais que fazer?

é interessante verificar três padrões familiares neste contexto dos blogues e das corridas:

- as famílias sempre presentes no mundo da corrida, e que aproveitam o pretexto das corridas para viver mais saudavelmente e visitar conjuntamente novos locais e conhecer novas gentes

- as famílias esporadicamente presentes, que por vezes, e em algumas provas ou eventos com maior impacto para o participante, lá estão a dar uma maõzinha

- as famílias que têm mais do que fazer e por isso deixam o participante entregue a si próprio e ao resto da tribo

a minha enquadra-se entre a nº 2 e a nº 3, com pendor para a nº 3 :)))
não têm lá muita paciência para andar nas corridas, pois têm outras, que lhes são mais queridas e interessantes.

como apologista de que só se vive uma vez e tem que se aproveitar para fazer o que se vai gostando, vergo-me perante tamanha (nem sempre, atenção, tenho que ser justo ;) marginalização da minha actividade de lazer por parte da malta cá de casa. e incentivo-os claro a seguir os seus caminhos.

por vezes torna-se mais difícil compatiblizar os vários hobbies, e não se consegue estar em todo o lado. como vantagem, a troca de experiências é, quem sabe, mais vasta e à mesa ouvimos descriçoes de várias aventuras em contextos diferentes. e aprendemos uns com os outros e uns sobre os hobbies dos outros.
por mim, entretenho-me a contar as aventuras; quando consigo lá os convenço a ir comigo numa ou noutra prova onde tenham um evento de lazer e turístico que possam aproveitar.

mas no final das contas, conta é que o pessoal se sinta bem, com ou sem corrida, com partilha no local das corridas, ou em diferido, com as estórias das corridas.

abraço.
ab - tartaruga

sábado, 12 de junho de 2010

Plano Nacional de Marcha e Corrida


de passagem pelo ténis do jamor, para ver uma possível inscrição do andré (este aventureiro anda sempre a experimentar coisas novas, creio que o basquetebol já era, segue-se, presumo, o ténis ... :), recolhi um folheto sobre uma iniciativa que não conhecia.

bastante interessante por sinal e com objectivos, ouso dizer, nobres e urgentes, pois o sedentarismo e a obesidade são dois dos flagelos dos tempos que correm.

abraço
até breve
ab - tartaruga

quinta-feira, 10 de junho de 2010

13 km do Guincho - Circuito Salomon



com um ligeiro atraso :), a acção passou-se no guincho, 30-05-2010
janeiro teve 2 provas, fevereiro 1, março outra.
tudo provas de montanha ou lá perto (gp do fim da europa).
abril deveria ter também 1 ou 2 mas … teve outro tipo de provas! em maio havia os 13 km de “entre a serra e o mar” do guincho.

já combinada há uns tempos com o nuno, seria uma estreia para mim. mais uma do circuito salomon, depois do monsanto e monge em 2009. sem treinos há 2 semanas, confiei no “tapering” forçado para aguentar a dureza do percurso e o calor. estimava qualquer coisa como 1h30m, o que se concretizou na mouche – 1h30m13s.

saí de casa pelas 8h20m, já um pouco em cima para o encontro com o nuno, em frente à antiga alcatel, à saída da a5. o dia estava limpo. a a5 sem movimento, permitia desfrutar da vista da serra de sintra, ligeiramente envolvida por algumas nuvens. na rádio, m80, o início de dia com os grandes u2, e o “with or without you”, logo seguido dos bee gees e do “you’re in the army now”. muito bom, boa onda, viagem perfeita.
estacionámos na malveira perto das 8:45m, com muito tempo para com calma levantar dorsais e aquecer. o dia começava a aquecer. primeiros sorrisos quando começamos a encontrar caras conhecidas. no caso o amigo que nunca pára, o sempre bem disposto joaquim adelino e o mayer raposo.
o levantamento foi muito rápido. logo de seguida o mário lima apareceu-nos e demos um abraço. um companheiro que muito prezo, apesar das escassas 3 vezes em que nos encontrámos, e com quem partilho o gosto pelas palavras.

seguiu-se um aquecimento muito lento, pois o sol já a pique começava a aquecer o dia. a conversa com o nuno é sempre estimulante, seja nos treinos, seja no s aquecimentos, pois nas provas ando pouco tempo ao lado dele :).

antes da partida ainda tempo para encontrar caras amigas e excelentes companheiros de jornada: a célia, o zé pereira, a cecília.

os primeiros 4 km foram um passeio a descer onde segui com os ensinamentos do grande moutinho para descidas técnicas – tronco ligeiramente inclinado para trás, mãos alongadas ao lado do corpo, seguindo o fluxo e o balanço do corpo, sem medos. o calor já era grande. chegados ao guincho um primeiro momento mais duro, nas dunas, com a areia quente e mole a dificultar o avanço.

a partir daí, sabíamos que seria sempre a subir até perto do final. pelos 6 km mais ou menos encontro o nuno em grandes fotografadelas :) tentei tirar-lhe uma mas a bateria não gostou de mim. vinha já com a célia e com o tigre a quem apanhei um pouco antes. eles seguiram e eu andei um pouco com o tigre. fomos subindo, sempre subindo, até chegarmos a novas subidas e pelos 9 km, tivemos a cereja no topo de todas as subidas, com um paredão imenso que até a andar me deixou o cardio em fogo. valia a vista sobre toda a zona do guincho, de excepção e que animava a alma.

começando a descer, rapidamente chegámos a mais uma subida antes dos 10km. a partir daí foi sempre a descer, os primeiros 500m numa zona lindíssima de vegetação serrada e que sobretudo nos trazia … fresco. no quilometro e meio final, novas descidas em grande aceleração, passando ainda por 2 ou 3 companheiros e terminando em força. os ensinamentos de condeixa e almourol têm disto.

no final a descida em grande andamento para cortar a meta cheio de força. um aceno ao mário lima, ao zé pereira, o nuno a iniciar o suminho fresco.
dorsal entregue, foi hora de regressar para a festa de anos do sobrinhão. um espectáculo.


agora é tempo de repouso activo, este semestre foi muito intenso, quer nas corridas até março, quer nos desafios da moral e da mente.

abrandar um pouco fará bem.

é claro que mantendo a tónica das 3 x semana de exercício entre corrida e marcha, dá sempre para fazer alguma prova que apareça.

e aqui pelo blogue talvez surja a oportunidade de abordar mais temas.
a ver vamos.
abraço
até breve.
ab - tartaruga

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Excelente livro - Born to Run

os livros excelentes são os que nos deixam a pensar que não sabemos nada, ou que sabemos algo de muito pouco do que existe para saber.

este é EXCELENTE.

aborda o espírito de aventura, o amor à corrida, a forma como alguns dogmas podem ser quebrados (como por exemplo, o de que correr com calçado super, hiper caro, pode ser melhor, por ter mais capacidade de amortecimento e ser mais almofadado).

fala-se do que verdadeiramente motiva os corredores de ultra-maratonas, a busca de si mesmos, dos limites, a ausência de necessidade de protagonsismo, de publicidade.
fala-se de aspectos centrais da nutrição, da própria evolução do homem e das suas semelhanças com macacos, gorilas, mas também com cavalos e com cães.
fala-se sobretudo de desafiar o "status" instalado e, só por isso, já gostaria do livro. mas é mais, muito mais do que isso.
valeu!
ab - tartaruga
p.s. - parabéns a todos os que se aventuaram na geira romana. aos que terminaram e aos que não o fizeram. em particular, a 2 barbas rijas, o joaquim adelino e o mário lima - não foi desta, mas outras aguardam.

sábado, 22 de maio de 2010

Novo habitat :) - Hospital D. Estefânia

a minha relação com meio hospitalar é longa. primeiro como criança em coma – e dessa não guardo nem grande nem pequena memória. depois como acompanhante, durante anos, da minha 2ª mãe, entre problemas cardíacos, respiratórios, hemodiálise, etc., aquilo a que a vida deveria poupar os idosos – no caso com mais de 80 anos.
também por lá passei como “operado”.

estas experiências geraram em mim um verdadeiro fascínio pelo meio, pelas relações que aí decorrem, pelo contexto extremo em que decorre a acção. e é sempre nos contextos extremos que as pessoas se definem. talvez resida aí esta admiração por quem aqui trabalha, não descriminando entre médicos, enfermeiros, auxiliares, pessoal com funções administrativas, pessoal voluntário, gestores hospitalares, etc.

ora desde 4ª feira que habito em permanência um sofá no hospital da estefânia, ao lado do andré. começou com fortes dores abdominais que nos levaram ao fim do dia de 4ª o hospital s. francisco xavier. diagnóstico feito, ainda inconclusivo e pelas 22h, hora de fecho das urgências pediátricas, fomos reencaminhados para a estefânia.
logo desde as urgências um atendimento de excelência. totalmente focalizado na criança, como deve ser. a equipa da cirurgia pediátrica fez um diagnóstico correcto, não avançando para a operação ao apêndice apenas porque a ecografia havia sido inconclusiva. o nosso corpo tem os seus timings e por vezes as suspeitas precisam de tempo para confirmações.
internamento para 24 h de observação. e assim chegámos ao nosso cantinho, onde temos vivido nos últimos 3 dias. sempre muito bem acompanhados, por todas as equipas hospitalares.
rapidamente se conhecem o novo habitat e os seus caminhos. por outro lado, a dimensão fechada a que somos votados, sempre cá dentro, tendo que construir um novo mundo, ao lado do mundo lá fora, é também um desafio. cada experiência, não apenas nova, mas enriquecedora. esse deve ser efectivamente o segredo de estar bem com a vida. e pacificamente temos estado nestes dias a conviver com muitas pessoas, infelizmente, em situações bem mais delicadas. tem sido mais uma “mala” cheia de novas sensações, novos desafios à comunicação, novas relações.

quando se está num hospital, onde o centro são as crianças, a vida parece que adquire uma dupla motivação: a necessidade de pensar positivo – ainda mais do que é habito, pois eles assim o merecem, bem como, a alegria de olhar em cada um desses olhares e ver a inocência e a esperança, tudo num só. e isso, dá alento, mesmo que só consigamos dormir períodos de 30m ou 1h de seguida, com os barulhos, os muitos barulhos do silêncio dos hospitais.
e deste sofá fiz casa, e da cama o andré fez a sua casa, e é assim que temos que assumir, que a nossa casa é onde estamos e com quem estamos, não se confina a 4 paredes, nem pode ser um local apenas físico. a nossa casa é o local dos afectos e esse é onde estamos e para onde nos transportamos. temos raízes e temos santuários. mas somos muito adaptáveis, a tudo ou quase tudo.

e felizes, pensando positivo, lá avançamos, coabitando com a doença, com a cura, mas, sobretudo, com as pessoas, com muitas em muitos estados de saúde. e com as que nos ajudam a curar.
no meio disto tudo e estando há 3 dias fechado num hospital, o que eu gostava mesmo era de poder dar uma corridinha, pois esta semana está quase queimada. pode ser que entretanto tenhamos alta, a operação correu muito bem, rapidamente o andré voltou a caminhar e isso é um óptimo sinal. talvez domingo seja possível.
de qualquer forma cuidem-se os companheiros dos 13 km do guincho de dia 30. é que com este tapering forçado vou directo para o pódium. o primeiro dos antónios da minha casa :)

um óptimo fim de semana, votos de boas corridas e aproveitem, porque como se costuma dizer e é verdade verdadinha, valorizamos muito mais aquilo que estamos impedidos de fazer quando não o fazemos. e quando a próxima corridinha chegar, vai ser a melhor de toda, a primeira de todas as que faltam dar, até daqui a muitos e muitos e longos anos.
os meus filhotes estão todos bem, a malta em redor (família e amigos também). logo, tá-se bem.

ah! e estes dias serviram também para voltar a estar no meio de bebés, a observar tudinho, para me habituar :). a rita vai ter alguém mais preparadinho do que os manos para lhe dar miminhos. e adoro conversar com todos os pais e partilhar estas experiências. aprendemos tanto que muitas vezes nem conseguimos perceber o quanto, até estarmos fora daqui, já mais afastados, já mais dentro da rotina e dos barulhos lá de fora.

abraço
até breve.
ab - tartaruga

domingo, 16 de maio de 2010

Quando o calor aperta ...

nota: as pernas não são as minhas naturalmente. são apenas ... parecidas

de forma a aproveitar o tempo disponível, hoje foi dia de 1h30 de treino "longo", em simultâneo com o surf do rodrigo em carcavelos.

ritmo lento como se impunha, comecei pelas 12h15m com bastante calor. soprava uma leve brisa muito agradável e lá segui entre carcavelos e paço d'arcos, sempre junto ao mar, com um cenário revigorante e bastante gente a caminhar no passeio marítimo (a correr eram menos, atendendo ao desgaste :).
cruzei-me desde logo com o senhor presidente carlos ferreira que em grande estilo ia terminando o seu treino. mais tarde o pedro r. um antigo colega de trabalho, que passeava o seu cão. tempo para trocar novidades e desejar felicidades.
no final, já bastante encalorado, a cereja no topo do bolo. mesmo sem material de veraneio, na zona onde decorria a aula de surf, entrei na água, fria por sinal, mas muito apetecível, onde dei uma bela banhoca às pernas, recuperando totalmente do calor e da hora e meia que havia concluído.
foi excelente e o dia estava uma maravilha.
na praia já um grande conjunto de banhistas faziam o gosto ao "mergulho" e desfrutava de excelentes condições nesta primavera que parece que finalmente vai atinando.

até breve.
ab - tartaruga

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Corrida e Bailado




há umas semanas, num sábado, andava a correr no jamor, quando me cruzei com um conhecido de há muitos anos, o l.x. professor na fmh, na área da dança.
ritmos semelhantes, avisei logo que era muito, mas mesmo muito, vagaroso e que ia correr 1h30m a esse ritmo, nem mais nem menos.
desafio aceite, o l. lá seguiu comigo.
fomos pondo a conversa em dia até que fiz uma pergunta daquelas que nos fazem aprender durante toda a hora que se seguiu.
fui um ouvinte atento e confesso que foi dos treinos que mais prazer me deu, correr devagar, com alguém ao meu ritmo, a ouvir e a saborear o conhecimento, empírico e científico, sobre dança, treino, resistência e desenvolvimento de qualidades físicas.
a pergunta foi: os bailarinos têm enorme resistência, para aguentarem todo o esforço físico dos treinos e espectáculos, verdade?
não, não é verdade!!!
os bailarinos pelo seu trabalho continuado ao longo de anos e anos de prática, possuem a resistência de base que todos nós sempre tínhamos quando éramos meninos que andávamos na rua, o dia inteiro, a fazer fartlek permanente.
das 5 qualidades físicas: força, resistência, velocidade, flexibilidade e coordenação, as mais importantes são a velocidade de execução, a força e a coordenação.
daí que o treino de bailarinos assuma características muito específicas, pois durante o espectáculo, muitos deles intervêm relativamente pouco tempo.
a resistência não é assim tão fundamental.
outro dos aspectos de que falámos foi a alimentação.
por uma questão de hábito e de exigências estéticas, no meio artístico, de uma forma geral, os bailarinos alimentam-se de forma muito deficiente.
e por isso surgem muitas vezes as lesões, atribuídas, amiúde, ao azar, ou a um deficiente movimento num dado momento.
no final, após o banho de ensinamentos, que me fez agradecer por estar ali, naquela hora, naquele dia, ainda tive tempo de ouvir a melhor definição das características de um bailarino, enquanto "atleta" profissional:
- a força e a velocidade de um velocista, no corpo de um maratonista.
até breve
ab

nota:
qualquer incorrecção ou omissão deve-se tão só à minha pessoa e à deficiente apreensão ou reprodução da informação.
um enorme obrigado ao l.x.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Estoril Open, treinos e companheiro Laborinho

enquanto senti necessidade de me fechar na concha, nestas 4 semanas, não deixei de correr, 2 ou 3x por semana. mantive a base de treino para tentar fazer uma prova ou outra, mas sobretudo para ajudar a manter a cabeça um pouco mais limpa e um nível razoável de exercício.


e a próxima prova será no dia 30 de maio no guincho, os 13 km de “entre a serra e o mar”, do circuito salomon. será uma estreia, numa corrida que parece difícil a partir dos 6 km. mas vai ser divertido voltar a encontrar companheiros dos trilhos e entrar no ambiente saudável das corridas na natureza. e sobretudo voltar a correr ao lado do meu Amigo mestre Kabessa.






entretanto por estas bandas o estoril open em ténis dominou os estacionamentos e alguns circuitos de corrida, motivando a procura de alternativas. Que, por seu lado, nos permitem conhecer novos companheiros de corrida e aprender com histórias de vida interessantes.
no sábado andava eu no jamor a correr calmamente quando me cruzei 2 vezes com um senhor de bigode. à terceira informei-o, quando nos cruzámos perto de uma das estradas fechadas a corredores, que não dava para seguir por ali. decidimos então seguir juntos. entre a canoagem e a zona do parque aventura, perto da carreira de tiro, acabei por conhecer novos caminhos e trilhos, novos pontos lá no alto da mata do jamor onde não havia estado antes, novas possibilidades para treinos futuros.


para além da história de vida do companheiro laborinho, 57 anos, com origens africanas, que veio viver para portugal ainda jovem; fiquei a saber que tem um site sobre a sua ascendência e que foi andando para trás na história até cerca de 1500 e qualquer coisa. e que ao procurar as suas origens, aprendeu também sobre a história universal e sobre a do nosso país, e dos países que colonizámos.


o que, afinal, também nos mostra que a história é apenas feita de todas as somas de todas as histórias, as de cada um de nós, e que uma boa forma de sermos melhores no futuro é conhecer o nosso passado e olhá-lo, não como um fardo, mas como uma etapa que nos permitiu chegar aqui e nos deixou um legado de vida e de experiência que devemos utilizar, por bem, no futuro.


até breve.
ab - tartaruga

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Carta Aberta aos meus três Filhos




17-04-2010
05-05-2010

Carta aberta aos meus três filhos


Gosto de escrever a preto meus filhos. Porem, estas palavras, inscrevo-as no papel branco a azul. É que por vezes, talvez muitas vezes, o que importa é escrever. A cor é a da alma, não a da caneta.

Começo por ti Rita.
Chegaste de mansinho em Janeiro deste ano. Foi já depois de o pai se ter deliciado com os trilhos do Crosse Laminha, perto de Aljubarrota e com os 17 km entre Sintra e o Cabo da Roca. Talvez tenham ajudado os ventos desse majestoso atlântico, ou o ar rebelde do ponto mais ocidental da Europa. Quem sabe?

Soubemos-te em Fevereiro. Insisti. Sabia-o de antemão com os primeiros sinais. O teu anúncio não podia ter sido mais inequívoco. Traçaste desde logo a tua presença com riscos a grosso no exame caseiro.
Como o Rodrigo e o André, sempre foste um sonho da mãe. Eu, mais comedido, com os filhos “arrumados” (olha só, imagina, que ilusão!), com a árvore plantada, com o livro escrito, pensava numa hipotética zona de conforto. A razão e a emoção, sempre juntas. Nenhuma ganha, nenhuma perde, quem decide é sempre a vida, sentada na esquina de cada um dos nossos dias. E esta vida, que tem sido tão boa para mim! Continuo a confiar nela. Sem reservas.
Tem-me abalado as zonas de conforto sempre que foi necessário. Tem-me ajudado a crescer. Quero acreditar que a tornar-me numa melhor pessoa, dia após dia. Sim, continuo a acreditar que é apenas isso que levamos no final do caminho, termos sido pessoas com bom carácter, ou não, pessoas de bem, ou não.

Como aprenderás, uma coisa é falar e pensar, outra é sentir. Recebemos-te radiantes. Os manos igualmente. A família rejubilou, como em cada um dos anteriores anúncios, quando os manos e os primos eram anunciados ao mundo.
Como te posso contar? Quebraste-me todas as certezas. E todas as defesas. Partiram-se como cristal largado num penhasco. Cada um de vós meus filhos, provou-me que após cada filho as certezas de um pai diminuem para sempre. À terceira Rita, pude comprová-lo mais uma vez.

Todas as certezas menos uma. A de que a vida é bela porque vocês passaram a existir.
Desde sempre, cedo em cada gravidez, demos o nome a cada um. Assim que se anunciavam decidíamos de imediato. Apenas eu e a Mãe. Foi sempre uma decisão só nossa, os fazedores da obra imaculada; como achamos que deve ser. Serias Rita ou Henrique, nomes já há muito descobertos.

As novidades começaram cedo. Creio ter aprendido há uns tempos que cada filho é diferente, cada um traz novidades, experiências diversas. Cada um coloca-nos à prova de forma diferente, nem mais nem menos intensamente, apenas de forma diferente. Não se pode comparar qualquer uma das experiências com cada filho, apesar da tentação, porque o ponto de partida é sempre distinto com cada um.
E também que o pai sendo o mesmo, é sempre diferente com cada um de vocês e reage de forma diferente com cada um. E que continua a ter medos, após cada um.

Numa das ecografias estavam duas bolsas no útero da mãe. Confesso-te minha filha, fiquei agarrado ao chão. Redireccionar as certezas demora tempo. A dobrar, é mais intenso.
De seguida um pequeno susto. Talvez a preparar-nos para o que se seguiria. A Mãe sangrava. Nunca havia acontecido em nenhuma gravidez anterior. Algo normal, por sinal. E por mais filhos que se criem, existem sempre medos novos, angústias que nunca vivemos antes. A experiência apenas ensina a vivenciar o medo de forma mais pausada, com menos estrondo. Talvez!
Sim, cada um de vocês, cada filho, aumenta-nos o número de “talvez”. Retoca-nos a base de apoio, segundo após segundo.

Passadas essas duas “novidades”, chegámos ao rastreio do primeiro trimestre. Rotina nova. A ciência evolui e com os teus irmãos ainda não fazíamos este rastreio. E a Mãe tem uma idade onde os riscos são maiores. Confiantes de que tudo estava perfeito, seguimos a rotina.

Os ventos desafiantes sopram sempre porque a rotina por vezes se aborrece. É um direito seu.
E chegou um telefonema. As análises haviam revelado um risco. Um risco, estúpida e implacavelmente aumentado. Muito aumentado.

Questões da genética, da vida e da estrutura dos cromossomas. Questões de vida, de qualidade de vida, ou de morte.

Havia uma consulta de alto risco a que devíamos comparecer. Passou a existir, entre o antes do telefonema e o depois desse telefonema, um universo de incerteza e de angústia, que se abriu, numa fenda dolorosa, numa fracção de segundo. Havia tantas, tantas dúvidas. A genética, dona de muito do que somos, a comandar os dias de incerteza.

Ainda nadas no quentinho e tal como os teus irmãos, já nos ensinaste tanto! Olhávamos de lado, com o olhar desconfiado dos pais acossados, o positivo e o negativo. Tentar focalizar no positivo. Mesmo quando não sabemos se é possível. Tentar focalizar no possível, pois tudo o resto parece impossível, tem que parecer impossível. Positivo, sim, afinal torna-se mais fácil, menos penoso, mais suportável. A paciência. A crença. No dia, apenas um de cada vez, ao invés de na noite. Em cada passo, apenas um também, de cada vez. Sempre o dizemos, quase nunca o praticamos. Eu, o teu pai, sempre um aprendiz de pai, com poucas certezas e que ainda assim se pareciam desvanecer. Com o corpo e a alma em ferida aberta. Sobre brasas em vez de chão firme. E ainda não havia nenhuma certeza. Nem do sim, nem do não.

Chorámos juntos, eu e a Mãe. Por amor. Sabes, chorar não tem nada a ver com pensar positivo ou negativo, nem como certezas ou incertezas. Chorar talvez seja uma prova de amor. Chorar por cada um dos filhos, em momentos de alegria ou de angústia, ou de medo, ou de incerteza.

Chorar talvez seja, apenas, uma maneira de, sob a forma de água, afastarmos para longe os maus presságios. Este rio que nos nasce na nascente dos olhos, ou antes, da nascente da alma, e que leva o que não queremos que fique perto de nós. Chorámos por medo. Que mania a nossa, imperfeitos pais, a de antecipar os cenários dantescos. E chorei eu, silenciosamente, com as lágrimas que queimavam cada crença. Sozinho, para não assustar mais a Mãe. É preciso chorar meus filhos. As lágrimas são o fontanário da força para prosseguir.

Recolhemos muita informação. Fomos ajudados, a minimizar a nossa angústia, por profissionais de excelência. O Hospital de Santa Maria sempre foi bom para mim. Reciclou-me a cabeça na luta com, e contra, o tumor. Foi em Santa Maria que nasceram os teus irmãos. E desta vez ajudou-nos a diminuir o medo e a acreditar que as probabilidades e os riscos aumentados são feitos de números importantes – que existem para nos ajudar – mas que a vida real prossegue ao lado e que é a essa, aos factos, que nos devemos agarrar.

Entretanto nadavas e dançavas, parece-nos, que num grande festim!

Há decisões que não é justo colocar nas mãos dos pais. Mas não há outra alternativa. Tem que ser! Só que doem muito. Só de pensar nelas, dilaceram. Em qualquer dos desfechos. Há decisões que nunca são as certas. Esta seria uma delas. Se tivesse que ser tomada. Das que deixam profundas marcas. E ainda bem em que há momentos em que as pessoas são poupadas a ter que optar entre a decisão errada, e a decisão errada.

Estes momentos difíceis aumentam a solidariedade para com todos aqueles que tiveram, têm ou terão, que tomar decisões deste calibre.
Hoje, apesar do meu sentido de voto, quando fomos chamados a pronunciar-nos sobre matérias de vida e morte, nos referendos, sentido de voto que manteria muito conscientemente, sou, creio, mais solidário com quem tenha que tomar decisões extremas, injustas, deste tipo ou doutro, mas que determinem a vida ou a morte.

E chorei minha filha, chorei tanto, por sentir e por antecipar, estupidamente, precipitadamente, que por amor, se pode matar. Paradoxal não é? Não acreditava antes. Agora sei-o! E ainda bem que não tivemos que decidir, porque não sei, digo-o com todo o amor e honestidade, qual seria a decisão. É que nenhuma é justa! Apenas te garanto que seria uma decisão por amor, e com todo o amor, apenas …

Já não sou o mesmo de há umas semanas. Perdi anos de vida, ou ganhei-os, não sei. Quando estive gravemente doente, a ponto de ter sido necessário abrir a cabeça para limpar o negrume lá dentro, nada, em nenhum momento, se comparou a isto. Foi sempre muito mais fácil. Com os filhos e para os filhos, é sempre diferente, muito mais difícil. A medida certa é toda ela muito frágil.
Sangrei, chorei, envergonhei-me de mim próprio, só e pensar em … sou muito imperfeito, meus filhos, mas com isso vivo bem. Não! Não vivo nada bem é sem ti Rita, sem os teus irmãos; quero dar-vos todo o meu amor, ainda que imperfeito.

Com as certezas abaladas, com menos certezas, talvez sejamos mais tolerantes. Será essa a chave? Mudei por estes dias. Talvez mais tolerante, talvez ajuíze menos. Há situações e pessoas onde não é possível ajuizar. Apenas as podemos viver em pleno; apenas de acordo com os ideais do coração; e não de acordo com os que estão nos papéis, nem nas abstractas convenções sociais.



André, meu filho, não é por escrever muito que digo o que interessa. E nem sei se o consigo, escrevendo muito ou pouco. A matemática é importante e ajuda-nos; só não nos serve quando somos reféns dos algoritmos do coração e das variáveis que nos trocam as manhãs de primavera.
Não se diz o amor por palavras. Muito menos por fórmulas. Espero conseguir dizer-te o meu amor por ti, na matemática do riso e do choro. Apenas rindo e chorando, convosco e por vós, conseguirei mostrar o quanto te desejo bem, o quanto te adoro, a ti e aos teus irmãos. Que tende para mais infinito, algo que, espero, possas sentir, a par e passo com as outras matemáticas da tua vida.
Só mais uma palavra meu André: ao contrário de muitos outros recursos que escasseiam com a sua utilização, o amor é dos que aumenta, quanto mais o gastamos e quanto mais o damos. Agradeço-te, tens ajudado a aumentar o que sinto, por ti e pelos teus irmãos.



Rodrigo, meu filho, tu que sabes tudo intuitivamente, que sentes antes de nós, que percebes as coisas; que soubeste desde logo quando algo não estava bem, e perguntaste, felizmente, pleno da tua púbere maturidade, que nos facilitaste a tarefa de explicar de forma simples, o inexplicável.
Meu confidente, sem o saberes, és o barómetro, sei por teu intermédio tudo quanto de bom e de menos bom se vai passando cá por casa.

Saberás um dia que o amor dos pais, deste em particular, se faz de muitos desencontros, de desentendimentos, apenas e só da tentativa e erro. Já o escrevi para um dos teus irmãos, de todas as minhas imperfeições como pai, a que mais me ajudou, foi perceber que não sendo nem podendo ser um pai perfeito, apenas vos devo a honestidade e a partilha das emoções. Sem mais, sem jogos, nem subterfúgios.

Sei que entendes esta linguagem, a dos sentidos. A tua rosa dos ventos é a tua intuição; por isso, ontem, me perguntaste assim que falámos a sós, se estava tudo bem com o bebé. E te respondi que até onde é possível neste momento perceber, sim, mas que faltam mais exames. E não te consegui dizer que já sabia que é uma menina, a nossa menina, a Rita, não porque não tivesse todo o desejo de o dizer, mas porque isso não seria justo, sem ter mais informação e sem saber o que nos reservaria o futuro próximo. A cobardia do amor. De vos querer proteger das maldades que espreitam à esquina.

Aprendi por estes dias que, para além de ter cada vez menos certezas, e talvez por isso ter muito mais perguntas do que caminhos e do que respostas, também o amor tem muitos sentidos, muitas formas, muitos trilhos. E que, o que pensamos e damos por arrumado nas nossas vidas, como sendo eticamente mais correcto, não passa de um conjunto de convicções apenas inseridas num certo e dado contexto, que pode mudar naquele segundo e naquela falésia. As muitas verdades da verdade. A perfeição que resulta da soma de todas as nossas imperfeições.
Brincalhão como és, com todo o teu enorme sentido de humor, deixa-me partilhar outra aprendizagem: podemos e devemos brincar e divertir-nos na vida e, se possível, em todos os dias da vida. Mas nunca podemos brincar com a vida! Nem com a morte. Há decisões que são as bombas relógio que nos colocam nas mãos. E seja qual for o seu sentido, explodem sempre. E que nos custam a alma. Toda, inteirinha. E as marcas que ficam … fazendo de nós, quem sabem pessoas mais dignas, apenas porque sobrevivemos ao sofrimento, às lágrimas, à dor, à dor partilhada com os que amamos.

E é por isso que somos mais fortes. Em toda a fragilidade da nossa humana existência, apenas nos resta rir e chorar, e acreditar, e mantermo-nos fiéis a nós próprios.
O resto, são contas que se farão no final de todas as lágrimas, não interessando nada nem para nada, pensarmos em algo que não seja um passo a seguir ao outro. Só nos resta tentar ser mais dignos no segundo que se segue.


Amo-vos meus filhos. Da forma que sei e da forma que sou. Não consigo traduzir o quanto, em palavras. Espero consegui-lo na vida real, do outro lado das palavras. E sobretudo, espero que um dia entendam que as decisões dos pais são tomadas por amor, mesmo quando não existem decisões certas e quando há trilhos de dor que, sabemo-lo, perdurarão.


p.s.1 – Rita, agora que estas três semanas, uma vida, passaram e permitem alguma serenidade, espero ter-te fora da barriga da mãe, com saudinha da boa, tão depressa quanto a natureza o permita. Existem imperfeições que exploramos e desenvolvemos melhor, olhos nos olhos. E nessa altura poderei palrar-te o quanto já aprendi contigo e com os teus irmãos, e o medo de não estar à vossa altura.
Mas tudo se resolve como tempo. Dizem. Assim o desejo acreditar, já não tão convicto como há uns dias atrás. Não sei o que vai acontecer até deixares esse teu habitat, muito menos o que nos reserva o futuro. Mas acredito que vamos tentar todos os dias ser felizes. Todos juntos. E vamos conseguir!

Passo a passo, muito devagar, porque como já nos ensinaste com os teus imponentes milímetros do milagre da vida, as surpresas são para viver uma de cada vez, sejam brilhantes ou obscuras. Não faz sentido precipitarmos o futuro. Também ele tem o seu ritmo e a sua noção de felicidade.

p.s.2 – aprendi meus filhos, que quero dizer sim em vez de não. Mas igualmente, que podem existir “nãos” que signifiquem alguns “sim”, embora possam nem sempre ser bem entendidos. Cabe-nos, a cada um, viver com as nossas decisões. O melhor que conseguirmos. Porque se não há pais perfeitos, muito menos há vidas perfeitas. Vamos então procurar viver os dias, os possíveis, que forem perfeitos: os que nos permitem estar junto de vocês, e sentir-vos livres, cidadãos plenos e felizes na maioria dos instantes da vida.

Talvez exista uma idade para cada aprendizagem. Talvez a maturidade seja apenas aprender a valorizar as coisas mais banais, e a serenidade e paz dos velhos seja isso mesmo. Perguntava-me um companheiro de corrida, há uns tempos, qual seria o próximo desafio.
É o maior de todos: ser um pai digno e merecedor da maravilhosa dádiva que vida nos deu – os meus três filhos.
Talvez nada tenha assim tanta importância e o importante seja apenas olhá-los bem nos olhos e sentir que valeu a pena. E sem palavras, porque nos momentos de excepção, elas não são necessárias, tudo se conjuga e faz sentido. E todas as pequenas coisas se alinham para nos mostrar o ponto onde nos definimos. Cada um. Cada verdade.

terça-feira, 27 de abril de 2010

37 (Angra do Heroísmo e Ricardo Batista)


interrompendo a hibernação tartarugueira (um destes dias, está quase!, sairei da concha), desejo postar um agradecimento ENORME ao ricardo bastista, o Homem do "Aguenta-te Sempre".


passo a explicar:
- fiz uma visita relâmpago a angra do heroísmo entre domingo à noite e 2ªf.
quase como ir a Braga e voltar, só que de avião :)

tinha postado no blogue do ricardo a minha ida e deixado o desafio:
- ou treinávamos no domingo pelas 23h, após a minha chegada, ou na 2ªf de manhã.

pelas 6am de 2ª f com uma chuva intensa, saí do hotel sob o olhar atónito do jovem na recepção. curiosamente 5 minutos depois parou de chover. andei sempre junto ao mar, a bela angra serena, sem movimento, a receber-me de braços abertos.

o monte brasil imponente, a clamar por um bom treino de trilhos ... que não seria possível.

passei pela zona de bons hotéis, pelo prédio onde havia comprado há muitos anos uns bordados como recordação e pela segurança social, rumo ao centro.

a escola primária infante dom henrique mostrava que em angra pouco ou nada mudou, aos olhos deste lisboeta, nos últimos 11 anos.

a mesma beleza, a mesma pacatez, a mesma harmonia, entre o pedaço de terra, o destemido Homem e o imponente mar, sempre presente, sempre ameaçador, sempre guardador.

cheguei ao clube náutico, voltei para trás, passei novamente pelo hotel, pela residência do "representante da república", por um conjunto de moradias e quintas de sonho, um convento e, voltando novamente para trás, parei à porta do hotel, fresco, rejuvenescido, com 51 minutos de corrida.

o dia seria de trabalho intenso até porque não dava jeito perder o avião ao final da tarde. no final do dia de trabalho, informaram-me que estava à minha espera um senhor chamado ricardo batista.

nem quis acreditar :)

pedi para lhe comunicarem a que horas estaria pronto. no final, quando me dirigi à saída, lá estava o simpático ultra açoreano.

trocámos breves palavras. o horário dos vôos e do check in comandava a agenda.

despedimo-nos, combinando um próximo encontro, não sabemos bem onde, mas ... onde calhar. seguimos. OBRIGADO ricardo, por teres seguido o meu trilho e ainda teres tido a pachorra de me ir cumprimentar ao final do dia.

fiquei a ganhar duas vezes, uma pelo treino que fiz (infelizmente sem a tua companhia), a outra por ter podido dar-te o bacalhau que havia imaginado.

grande abraço.

até breve e bons treinos e provas, e treinos nas provas :)

ab - tartaruga

sábado, 10 de abril de 2010

36 (O decatlo da vida)


mais do que uma maratona, talvez seja é mesmo parecida com uma prova de decatlo:
uma espécie de ultra-decatlo.
a vida.
várias modalidades, em simultâneo, várias formas, várias exigências, vários desafios, várias existências.
e um recurso sempre escasso, o tempo, para agarrar cada uma das facetas do decatlo.
e a energia, e a vigília: que devem ser bem doseados consoante as circunstâncias.
é tempo de hibernar, em linguagem de tartaruga.
desejo voltar o mais brevemente possível. que a hibernação seja ténue é o meu maior desejo.
desejo, também, deixar a minha enorme gratidão neste até breve:
a todos quantos deram vida a este espaço, até ao momento, e, assim o espero, que futuramente continuem a dar.
pemanecerei um fiel viajante pelos blogues que me preenchem e por este mundo da blogosfera. necessito!
e que as corridas, todas elas, de todas as formas e feitios, no espaço do decatlo da vida, tragam o maior prazer, o maior sucesso, o maior deleite.
OBRIGADO!
até breve.
AB - Tartaruga

sexta-feira, 2 de abril de 2010

35 (23º Grande Prémio de Constância)



amanhã conto estar.
só poderei decidir de manhã, mas conto!
todas as provas têm razões especiais, todas têm a sua beleza.

esta tem "a" razão para lá estar, e apesar de nunca a ter corrido, sei que tem uma beleza única.

até breve e uma páscoa feliz.
ab - tartaruga