sábado, 22 de maio de 2010

Novo habitat :) - Hospital D. Estefânia

a minha relação com meio hospitalar é longa. primeiro como criança em coma – e dessa não guardo nem grande nem pequena memória. depois como acompanhante, durante anos, da minha 2ª mãe, entre problemas cardíacos, respiratórios, hemodiálise, etc., aquilo a que a vida deveria poupar os idosos – no caso com mais de 80 anos.
também por lá passei como “operado”.

estas experiências geraram em mim um verdadeiro fascínio pelo meio, pelas relações que aí decorrem, pelo contexto extremo em que decorre a acção. e é sempre nos contextos extremos que as pessoas se definem. talvez resida aí esta admiração por quem aqui trabalha, não descriminando entre médicos, enfermeiros, auxiliares, pessoal com funções administrativas, pessoal voluntário, gestores hospitalares, etc.

ora desde 4ª feira que habito em permanência um sofá no hospital da estefânia, ao lado do andré. começou com fortes dores abdominais que nos levaram ao fim do dia de 4ª o hospital s. francisco xavier. diagnóstico feito, ainda inconclusivo e pelas 22h, hora de fecho das urgências pediátricas, fomos reencaminhados para a estefânia.
logo desde as urgências um atendimento de excelência. totalmente focalizado na criança, como deve ser. a equipa da cirurgia pediátrica fez um diagnóstico correcto, não avançando para a operação ao apêndice apenas porque a ecografia havia sido inconclusiva. o nosso corpo tem os seus timings e por vezes as suspeitas precisam de tempo para confirmações.
internamento para 24 h de observação. e assim chegámos ao nosso cantinho, onde temos vivido nos últimos 3 dias. sempre muito bem acompanhados, por todas as equipas hospitalares.
rapidamente se conhecem o novo habitat e os seus caminhos. por outro lado, a dimensão fechada a que somos votados, sempre cá dentro, tendo que construir um novo mundo, ao lado do mundo lá fora, é também um desafio. cada experiência, não apenas nova, mas enriquecedora. esse deve ser efectivamente o segredo de estar bem com a vida. e pacificamente temos estado nestes dias a conviver com muitas pessoas, infelizmente, em situações bem mais delicadas. tem sido mais uma “mala” cheia de novas sensações, novos desafios à comunicação, novas relações.

quando se está num hospital, onde o centro são as crianças, a vida parece que adquire uma dupla motivação: a necessidade de pensar positivo – ainda mais do que é habito, pois eles assim o merecem, bem como, a alegria de olhar em cada um desses olhares e ver a inocência e a esperança, tudo num só. e isso, dá alento, mesmo que só consigamos dormir períodos de 30m ou 1h de seguida, com os barulhos, os muitos barulhos do silêncio dos hospitais.
e deste sofá fiz casa, e da cama o andré fez a sua casa, e é assim que temos que assumir, que a nossa casa é onde estamos e com quem estamos, não se confina a 4 paredes, nem pode ser um local apenas físico. a nossa casa é o local dos afectos e esse é onde estamos e para onde nos transportamos. temos raízes e temos santuários. mas somos muito adaptáveis, a tudo ou quase tudo.

e felizes, pensando positivo, lá avançamos, coabitando com a doença, com a cura, mas, sobretudo, com as pessoas, com muitas em muitos estados de saúde. e com as que nos ajudam a curar.
no meio disto tudo e estando há 3 dias fechado num hospital, o que eu gostava mesmo era de poder dar uma corridinha, pois esta semana está quase queimada. pode ser que entretanto tenhamos alta, a operação correu muito bem, rapidamente o andré voltou a caminhar e isso é um óptimo sinal. talvez domingo seja possível.
de qualquer forma cuidem-se os companheiros dos 13 km do guincho de dia 30. é que com este tapering forçado vou directo para o pódium. o primeiro dos antónios da minha casa :)

um óptimo fim de semana, votos de boas corridas e aproveitem, porque como se costuma dizer e é verdade verdadinha, valorizamos muito mais aquilo que estamos impedidos de fazer quando não o fazemos. e quando a próxima corridinha chegar, vai ser a melhor de toda, a primeira de todas as que faltam dar, até daqui a muitos e muitos e longos anos.
os meus filhotes estão todos bem, a malta em redor (família e amigos também). logo, tá-se bem.

ah! e estes dias serviram também para voltar a estar no meio de bebés, a observar tudinho, para me habituar :). a rita vai ter alguém mais preparadinho do que os manos para lhe dar miminhos. e adoro conversar com todos os pais e partilhar estas experiências. aprendemos tanto que muitas vezes nem conseguimos perceber o quanto, até estarmos fora daqui, já mais afastados, já mais dentro da rotina e dos barulhos lá de fora.

abraço
até breve.
ab - tartaruga

4 comentários:

Rui Pena disse...

Votos de recuperação rápida para o André.

Abraço,

Rui Pena

António Almeida disse...

Amigo
rápida recuperação do André, felizmente não foi nada de grave.
Forte abraço.
ps) mais uma vez as tuas palavras foram o mote para a minha 2ª ultra.

Otília disse...

Olá António
Uma boa e rápida recuperação para o André, e que rapidamente acabes com as saudades das "corridinhas".

Até ao Guincho, com o meu empeno da Geira ainda caio de alguma falésia abaixo.

Tudo a correr bem para o resto da familia em especial para a Rita.

Otília

ana paula pinto disse...

Com o atraso que li a "notícia", decerto que há muito o André está em casa. A esta hora já saltita, como criança que é! (espero que sim)
Um beijinho e votos de rápida recuperação.
Beijinhos aos restantes elementos (bem, daqui a pouco encho uma página!! - adoro esta brincadeira:-))
Ritinha...Força rapariga. Esperamos-te.

Ana Paula Pinto