quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"A minha arte e outras coisas"

o andré bento decidiu "arrumar" com o seu site nos sites/google - creio que o achava pouco dinâmico - e aderiu à blogosfera - AQUI
desde o fim de semana tem sido um corropio de posts.

a dinâmica editorial é avassaladora.

o conteúdo é extraordinário e nada como um filhote muito terra a terra, o matemático cá da casa, e que escreve direitinho ao assunto. delicioso. até o endereço revela o seu pragmatismo: "a minha arte" estava "esgotado" na nomes à disposição e vai daí ficou, assim mesmo, "esteaqui".
prático e rápido. indolor. :)))

um riqueza.
hoje, agora, passei os olhos por todos os posts, pois pensava eu que talvez lá para o fim de semana chegassem mais uns quantos.
fui ao engano, naturalmente, pois o rapaz quando se mete numa empresa, aí vai ele.
já o sabia, mas confirmei-o.

parabéns meu amor. que orgulho. continua com toda essa vida e aproveita cada instante!
ab

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Muitos degraus em 2009

fonte: www.overmundo.com.br


para 2009 decidi abandonar os elevadores (excluem-se situações de transporte de materiais pesados, como "compras", naturalmente).
por um lado, posso ajudar o ambiente, por outro, melhoro a condição física e a saúde.
moro num 3º andar.
trabalho num 3º andar.
por dia subo e desço muito, pelas escadarias, desde o início do ano.
vantagens:
- tenho mais tempo para pensar no que me ocupa a caixa negra nesse momento, ou para sonhar, enquanto não chega o último degrau;

- vou aumentando a resistência de outra forma, para além da corrida (e asseguro-vos que ao fim de 2 ou 3 semanas nota-se bem, e o sentimento é exactamente o mesmo do que quando iniciamos a prática de exercício e ultrapassmos a fase das primeiras dores, sentimo-nos os donos do mundo);

- melhoro a técnica da passada, pois tenho que me ir tornando mais eficiente para subir a escada de forma mais fácil.


desvantagens:
- nenhuma :)
o meu querido amigo a. luís desceu comigo ontem ao final do dia, no trabalho.
convenci-o.
não comprou a minha teoria, ia sorrindo enquanto descíamos do 3º piso para o rés do chão.
aí comentou que: "afinal foi depressa e já cá estamos". sob o seu sorriso brincalhão despedimo-nos. pode ser que pegue ...

até agora tudo muito bem, expectativas excedidas com cada degrau em 2009.
ab

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Não sei que título hei-de dar ...

sábado, início da tarde. após o almoço encostei-me no sofá e com as rampas da manhã nas pernas aterrei ... cabecita na almofada, corpo encolhido, fui-me afastando das vozes da família.
bastariam uns minutos e estaria recuperado, pensei. é o melhor sono, o mais retemperador, a seguir à refeição, quando o corpo exige uma sesta. caí que nem um grande calhau.
passado um tempo - nem percebi se muito se pouco - ouvi lá ao longe uma espécie de som, talvez fosse a campaínha. o meu pai chegara para ver os netos - sim, os pais quando nos visitam nesta fase da vida, é para ver os netos :)))
ouvi de novo algumas vozes, mais perto, mas tive muita dificuldade em distinguir quem entrara em casa. todos estavam animados menos eu, sem condições para sequer abrir o olhinho.
o meu pai sentou-se no mesmo sofá onde eu estava todo encolhido. muito a custo, noutra dimensão, percebi que era ele. sugeri-lhe que puxasse uma almofada para se encostar e pedi desculpa por estar a incomodar não me mexendo, mas o que é facto é que assim continuei.
passado um momento, senti a mão e o braço do meu pai pousados na minha perna.

despertei, sereno, repousado, e percebi tudo.
percebi o amor dele por mim, naquele instante.
mais ainda, percebi o apelo do toque físico, a importância e a inevitabilidade de amar tocando.
e percebi que continuo a ser a criança que o meu pai adora.
e que me começa a pedir o toque físico que a "velhice" merece e pela qual anseia.
ele não fugiu do toque quando percebeu que eu o sentira. seria talvez expectável num homem que é o produto de uma geração ensinada, a esconder, e a esconder-se, dos sentimentos.
eu não fiz qualquer esforço para afastar aquele momento.

sou um ser físico (signo peixes, água, talvez por aí ...).
preciso de tocar e ser tocado (os meus filhos sofrem com os meus acessos de carinho :-), com os autênticos mega abraços que lhes dou, com as festas e as brincadeiras, sou um grande chato muitas vezes), não tenho qualquer problema em trocar "toques" com as pessoas de quem gosto.

e quero ser sempre a criança a quem o meu pai afaga. cá estarei para o inverso, que neste ciclo da vida começa a ser uma realidade necessária. cá estarei para fisicamente lhe dar o meu amor. e no sábado percebemos isso, os dois. em simultâneo e em sintonia.
porque acredito piamente que o amor é antes de mais físico, que sem a manifestção da dimensão física não há sobrevivência possível no amor. o toque, o toque, eis o elemento fundamental.

amo-te pai.
e vou tocar-te durante muitos mais anos.
porque no sábado vivi (vivemos) um momento único e estou-te eternamente grato por aquele instante.

ab

p.s. - este post é muita maricas, mas paciência.
na falta da carta de amor (esta coisa de machos a escrever cartas de amor a machos, ainda mais aos pais, que são os machos antes dos machitos ... é mais difícil), o tartaruga vai desfrutando a vida de forma serena e vagarosa, apreciando o caminho.
e este é o relato daquele que foi um autêntico momento único da vida de um tartaruga, a apreciar com calma o amor. e a fazer por merecê-lo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

X Grande Prémio do Atlântico

fonte: http://www.ammamagazine.com/Fotos/20090208-vr/photos/IMG_0992.html

(eu de camisola vermelha - dorsal 1234 :). o ricardo de sweat verde, o a. luís de azul, o álvaro encoberto)

uma bela manhã.
rumo à caparica, o tejo parecia uma piscina.
os silos da trafaria e de porto brandão
vigiavam um cargueiro no meio do rio, que o céu cinzento cobria. passada a ponte foi tempo de verificar o preço do gasóleo na bomba da bp (a dos descontos ao fim de semana :) e constatar a escalada da construção, do lado esquerdo, mesmo antes do cruzamento dos capuchos. nos semáforos da costa foi virar à esquerda e procurar o ajuntamento. assim que virei numa rua mais adiante vi o tiago (o jovem das ultras). parei e recolhi informações. deixei o carro numa rua ao acaso e, por puro acaso e sorte, muito próxima da zona da partida e da chegada. ao dobrar da esquina a surpresa – encontro o nuno, a. luís, ricardo e álvaro. combinado não conseguiríamos melhor. haviam deixado o carro na mesma rua, uns lugares mais adiante. levantado o dorsal, fomos os cinco dar uma volta aos quarteirões. a habitual agitação com centenas de atletas já a aquecer, outros a “correr” para a zona de entrega dos dorsais, outros ainda dando informações por telemóvel num tom de voz que faria inveja a qualquer instrutor da recruta. só não saberia o trajecto para chegar à corrida quem não estivesse atento.
daí a nada rumámos aos carros, para equipar e iniciar o aquecimento. a vista da rua dava directamente para a encosta dos capuchos. pura beleza.


fonte: www.fotos.ondalivre.com


ainda se consegue avistar o verde selvagem, das varandas, por entre a roupa estendida. nos seus roupões, homens e mulheres começavam também a aparecer às janelas, ora para fumar, ora para espreitar o dia.
o aquecimento é sempre um momento ímpar, rico em encontros e cumprimentos. e ficamos a saber coisas novas a respeito de pessoas que normalmente encontramos noutros contextos. o hugo colega de profissão, o josé manuel aires a aquecer para sevilha, o antónio almeida com quem tive o prazer de prosar uns momentos, o decano arons de carvalho, e mais um dos companheiros do jamor, lá nos íamos cruzando e galhofando. na zona da partida ainda tempo para a chegada do carlos, luís e pedro. numa varanda dois posters gigantes de jogadores do sporting. o núcleo sportinguista da costa de caparica a dar cartas. o sol ia despontando envergonhadamente. a temperatura era a ideal para uma corrida deste género. frio qb, como gosto.
dada a partida a estratégia era seguir o ritmo do álvaro e do Ricardo, e depois logo se via. o a. luís “passeava” connosco, dando mais uma vez provas do seu cavalheirismo e amizade. até aos três quilómetros tudo normal, ritmo agradável, velocidade de cruzeiro. sentia o treino de ontem mais no cardio do que nas pernas. as subidas e descidas das ultimas semanas vão dando frutos positivos. a partir daí começámos a cruzar-nos com o pelotão e a acenar à malta conhecida. aos quatro quilómetros e aproveitando a ligeira descida deu para aumentar um pouco o ritmo. entre os cinco e os seis senti-me bem e fui andando. descolei um pouco do pessoal e segui. o sol apareceu e o vento batia agora de frente, mas era agradável, quando entrámos na zona de calçada. ainda foram uns metros valentes de stresse, pois não gosto de correr nesse piso e tenho sempre algum receio de torcer os pezinhos.





já de volta à zona da marginal da costa, o restaurante do conhecido benfiquista, o “barbas” – podiam era ter escolhido outra cor, aquele cor de rosa não lembra nem ao menino jesus – a lembrar talvez um certo equipamento secundário do glorioso, de há dois anos.

fonte: www.home.iscte.pt


na marginal e sentindo-me muito bem logo após os sete quilómetros, aproveitei a subida para acelerar um pouco. esta corrida foi toda ela um excelente “tempo run” para os quilómetros que terei de fazer brevemente. antes dos oito quilómetros o a. luís apanhou-me e fresco, frsquinho lá me foi fazendo companhia. já tinha saudades de uma corrida com este amigo e companheiro dos puros, dos que valem mesmo a pena. já vão existindo poucos como ele.
a marginal era toda ela obras.

fonte: www.travel-in-portugal.com



para além das reparações nos estragos provocados pelas inundações recentes e pelo inverno rigoroso, as eleições autárquicas em outubro também merecem e motivam algum empenho. a bem da população e dos veraneantes claro está!
rapidamente chegámos ao quilómetro nove e aí ainda acelerámos um pouco. algo que me irrita mesmo é a malta do corta mato e dos atalhos. seguimos sempre pela estrada, mas há aqueles que se enganam a si próprios e que insistem em atalhar umas boas centenas de metros ao longo de toda a prova. nas últimas curvas o incitamento popular e o sprint para a chegada abaixo dos 50 minutos. oficialmente 49m57s, no meu relógio, 49m27s. uma excelente corrida; com pouco mais de 1 mês de treino, as pernas começam a estar mais à vontade.
na zona da chegada era hora de tirar o chip, comentar a prova com o nuno, carlos, a. luís, falar um pouco com o pedro e com o luis. pouco depois o álvaro e o ricardo cortavam a meta e lá fomos entregar o chip e beber a garrafa de água. rumo ao carro ainda tempo para ver a ana p. a terminar a sua prova com a consequente troca de cumprimentos e sorrisos. mais uma ana, a coisa compõe-se!
as despedidas da malta junto aos carros, uma última vista para a zona dos capuchos e para a vegetação ainda poupada (até quando???). era tempo de fechar a prova e rumar ao duche.
valeu. obrigado caparica. foi a minha terceira participação, depois de 2006 e 2007. a prova mantém-se agradável, apesar do percalço deste ano pela falta de 100 metros.
pessoalmente tive mais uma prova de que quando não esperamos muito das provas, temos surpresas agradáveis, como foi a de hoje. deixar ir e desfrutar é cada vez mais o segredo para valer a pena. depois durante a prova logo se vê!
até para o ano , grande prémio do atlântico e, até breve, corrida!
ab

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A gazela e o tartaruga

hoje só não me esqueci da cabeça e das pernocas.
levei o rodrigo ao treino de canoagem e o plano de treinos - improvisado - para hoje pressupunha fazer rampas. era uma questão de escolha, no jamor há várias alternativas.
aí chegado percebi que me havia esquecido do relógio, da fita cardio, e da camisola para a muda, no final. nada impeditivo para avançar.

cerca de dez minutos de aquecimento e optei pela rampa em trilho - recentemente arranjado e agradável, fofinha e moldada pela chuva recente - que liga a pista 2 ao estádio principal. íngreme e extensa. com a vantagem de estar sem relógio e sem cardio, não havia razão para receios, nem para me assustar :)

imaginei 1o repetições. ao fim da primeira percebi que a tarefa seria dura. mas lá continuei. pela terceira cruzo-me com uma atleta - das verdadeiras - fita na cabeça, muito magra, africana.

percebi, passado um momento, que também estava a fazer o mesmo tipo de treino. continuámos e às tantas parti um pouco antes dela. quando passou por mim tive a sensação de ter uma gazela, levezinha, elegante, cheia de classe, a voar a baixa altitude, ao meu lado.
nas duas vezes seguintes sucedeu o mesmo.
quando me faltavam duas repetições, desejou-me força. despedimo-nos, seguiu no seu passo maravilhoso e ali permaneci até completar a décima repetição.

completamente partido terminei e ainda tive tempo para me cruzar com o campeão veterano armando aldegalega e com um dos nomes fortes da corrida em portugal, o paulo guerra.

belo treino, a gazela ajudou-me na motivação para terminar e mostrou-me como é mais fácil :)))

amanhã há grande prémio do atlântico.
ab

Haruki Murakami

do livro "dança, dança, dança":

"à nossa frente, seguia um camião que transportava porcos. por entre as frestas das tábuas de madeira, os seus olhinhos vermelhos não nos largavam de vista. será que os porcos conseguem distinguir um maserati de um subaru?"

"em todo o caso, estava morto. quando se morre, não há mais nada a perder. é essa a única vantagem da morte."

"a verdade é que passaram dez minutos e ela nada, sem reagir, fosse porque estava demasiado concentrada ou pura e simplesmente distraída. a passagem do tempo não parecia incluir-se entre os elementos fundamentais da sua vida."

bfs
ab

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O nascer de mais um dia

ainda noite. seis da manhã. gorro e luvas, equipamento a preceito. escadas descidas, ligeiro aquecimento no hall do prédio. na rua estava frio e chovia bastante.
iniciei o treino e decidi seguir o trajecto urbano, dentro de linda-a-velha. poucos carros, o ar ainda respirável. um cão a passear o dono, os trabalhadores da noite, os que dão vida ao pão, enquanto dormimos.
nas paragens do autocarro os trabalhadores madrugadores a caminho de mais um dia de labuta. quem sabe, a muitos quilómetros de distância.
na rua algumas caras conhecidas dos dias em que treino a estas horas.
adoro cumprimentar as pessoas, provocar o bom dia, ouvir a sua voz. talvez seja por não esperarem um cumprimento vindo dum lunático que corre, quando todos desejavam estar mais uns minutos a dormir - ficam desconcertadas, mas globalmente quase todas retribuem.
gratificante.
por entre poças de água e uma grande molha, cuja água sabia a mel nos lábios, passei o hotel solplay e no alto de santa catarina virei com vinte e quatro minutos.
no retorno já havia mais movimento. a chuva parara. o prazer continuou o mesmo.
de repente o dia começou a espreguiçar e a clarear.
foi mais um amanhecer. que prazer, que fortuna a de poder assistir ao nascer do dia.
ainda mais a correr.
como se explica esta sensação, horas mais tarde no trabalho?
não se explica. só experimentando.
é que não há nada como assistir a um nascimento.
terminei com quarenta e seis minutos e trinta segundos. 2ª parte mais rápida. suadinho. completo.
ab

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Um Pai Águia de Ouro do SL Benfica


há pouco falei com o meu pai. liguei para saber se estava tudo bem.
que sim senhor! e deu-me uma fabulosa novidade:
no dia 21 vai receber a águia de ouro do sport lisboa e benfica: 50 anos de sócio.
que orgulho!
independentemente das cores clubísticas, acho fascinante quando alguém mantém um compromisso, seja qual for, durante 50 anos.
parece que quase já não se usa.

e a família lá estará, orgulhosa, para celebrar esse momento.
assim como os meus filhotes e o meu sobrinho mais velho já estiveram presentes quando eu e o meu mano fomos receber as águias de prata, de 25 anos de sócio, desta feita provavelmente lá estaremos, os 4 netos e o resto da malta.

e depois será motivo para uma grande almoçarada.

parabéns velhote. e obrigado por também termos partilhado tantos e tão bons momentos, nesta vertente das nossas vidas. e lá nos encontraremos, com o maior dos orgulhos.

ab

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

1º Trail - 1ª prova nos 40

pois é, já estamos inscritos.
vamos à aventura. serão 28 km - aqui. no final de março.

depois teremos uma cereja, ou melhor, algo mais substancial, no topo do bolo.

será a minha 1ª prova em trilhos, e a 1ª prova depois dos 40.
fantástico. estou ao rubro. vai ser muito divertido.
até lá continuo no sobe e desce nos treinos.
hoje foram 50 minutos, ao final da tarde. um belíssimo treino.
a chuva a determinada altura era tanta que parecia um ataque de pregos na careca.

mas com a vontade e um objectivo que se confunde com diversão, é mais fácil.

ab

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Uma pérola: Manuel Bandeira

uma amiga, a m., brasileira, regressou de férias com um presente.
especial.
um livro de bolso: bandeira de bolso, uma colectânea de poesia de manuel bandeira.
obrigado m.
que presente tão bonito. adorei!
ab

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pneumotórax

febre, hemoptise, dispnéia e suores nocturnos.
a vida inteira que podia ter sido e não foi.
tosse, tosse, tosse.

mandou chamar o médico:
- diga trinta e três.
- trinta e três ... trinta e três ... trinta e três ...
- respire.
o senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

- então doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- não. a única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

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andorinha

andorinha lá fora está dizendo:
- "passei o dia à toa, à toa!"

andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
passei a vida à toa, à toa ...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Purificar em 2 horas

domingo de manhã. o andré em plena recuperação, já mais animado.
chuva e vento. uma manhã agreste.
todos os planos começaram a sair furados. mensagem sms: o treino de kayak polo do rodrigo foi adiado. havia previsto correr em simultâneo.
no eurosport mais um épico, nadal vs federer. iria durar. as hostes estavam calmas. restava-me treinar. tinha algum tempo.

foram 2 horas. o plano era simples: sair de casa, descer ao mercado de algés, subir a avenida vasco da gama, passar o centro helen keller e o cif e dar uma volta em monsanto. depois, viragem com 1 hora e regresso.

assim que saí do prédio apercebi-me de que a chuva não tinha ajudado a diminuir o frio. pelo contrário. comecei logo molhado. com 2 minutos de corrida, e como chovia a bom chover, estava ensopado. na avenida dos bombeiros corria um verdadeiro rio - conduta rebentada. os ténis estavam lavadinhos, com tanta água. chegado a algés iniciei a subida.
a avenida das embaixadas. sempre curioso ia olhando. uma após outra ia tentando descobrir as bandeiras e ler qual era a embaixada respectiva. grandes vivendaças, é o que é. só a manutenção mensal deve dar para equipas uma equipa inteira durante uns tempos.

foi sempre a subir até às torres do restelo. o chão tinha ramos partidos, pinhas, folhas. ainda não havia muitos carros. chegado ao topo ainda mais uma subida, a do helen keller e do cif. mas naquela altura já subia como quem desce. o cardio estava bom, para tanto tempo a subir em contínuo.

mais à frente comecei a respirar a frescura do verde de monsanto. belo!


finalmente, na alameda keil do amaral entrei nos trilhos. estava perigoso, pois patinava imenso. descia com cuidado, literalmente a escorregar. subia tentando colocar os pés bem assentes em pequenas pedras. um espectáculo. abandonei-me ao delírio de pisar tudo quanto era poça, lama, água. sujo mas feliz como uma criança encharcada que brinca na rua como se fosse a última tarde de brincadeira.
perto do anfiteatro 2 cães junto do dono ainda me ladraram. o dono lá chamou o "rafa", um deles. o cardio subiu um pouco mas segui sem nenhuma mordidela :)
o ambiente era magnífico. muito pouca gente se aventurou àquela hora, a apanhar uma molha. com 1 hora de corrida virei. novamente no anfiteatro e sem cães à vista, tempo para desfrutar da excelente vista. a partir desta altura foi sempre a descer até algés.

fonte: www.webserver.cm-lisboa.pt

nas bombas da bp do restelo uma curiosidade: numa pequena zona descampada vários veículos apresentavam o número de telefone do dono, para venda. um stand informal que deve gerar alguns adeptos, pois pelo menos um senhor lá estava a espreitar para uma das carrinhas.
novamente as embaixadas. agora já com mais carros a circular e um pouco mais de fumarada. mas valeu a vista sobre o tejo. do cimo da avenida é de uma beleza tentadora.
em algés ao entrar na avenida dos bombeiros, grande aparato de bombeiros e polícia. não percebi e segui de frente para os carros. um bombeiro apontava para mim e gesticulou olhando para cima. só então percebi que estava em zona proíbida, vedada pela polícia, porque no 6º andar de um prédio o vento tinha literalmente rebentado com a marquise. os destroços estavam no chão. olhei também para cima e intuitivamente acelerei para sair dali. os estragos eram muitos, sabia lá o que podia ainda sair pela janela ... infelizmente muito estrago.
a última subida, a do dolce vita até cá acima, à praceta.
fim. ... do treino, com os alongamentos da praxe, pernas doridas, mas alma rejuvenescida.
entro em casa e os meus filhos dizem-me que a final do open da australia ainda durava. pelo meio dos desenhos animados e dos seus jogos de cartas lá iam espreitando.
valeu. os ténis estavam cheios de lama, erva, encharcados, até pequenos ramos tinham "colados"
estavam lindos, apetecíveis. o resultado de um treino que me lavou por inteiro.
ab

sábado, 31 de janeiro de 2009

Uma manhã normal

adenda à manhã normal:
pelo meio dia e um quarto, 1 horita saindo de casa, subindo e descendo, descendo e subindo, até à mata de carnaxide. foi bom, novo percurso, estimulante. o corpo começa a responder à continuidade do treino. e tenho que ir treinando subidas e descidas, pois daqui a 2 meses há um desafio intenso - uma novidade que a seu tempo aqui trarei.
cruzei-me com um companheiro na mata de carnaxide de mochila às costas e passo curto e ligeiro - um ultra, estou em querer. vão-se conhecendo.
duche, almoço e 5 estrelas.

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as manhãs normais são um património de que necessitamos.
o amanhecer sem stresses, após poeira ter assentado.
hoje fui cliente do sofá. acordei de madrugada, noite cerrada ainda. assisti ao amanhecer. limpo. orvalhado. gostaria de ter ido fazer companhia ao nuno no seu longão. não é possível. mas tentarei treinar mais ao final da manhã.
até lá, entre farmácias e compras circunstanciais para apoio ao recobro, a quase certeza de que
tudo corre e de que a noite calma foi um bom prenúncio.

as manhãs de sábado são normamente as minhas favoritas. abrem um bom leque de possibilidades. esta teve um sabor especial. "fecha" um mês de janeiro intenso, em todas as águas da minha navegação.

e falta um agradecimento a todos os que de todas as formas me fizeram chegar a sua amizade e a sua solidariedade. esse é, sem sombra de dúvida, o húmus a partir do qual podem florescer as manhãs serenas.

abraço e bom fim de semana.
haja corridas!
ab

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Angústias de pai

acabo de chegar de lá. doi-me tudo. parece que levei uma tareia. a espera atormenta, a falta de controlo sobre a situação.
não é em nada comparável a quando se passa connosco.
aí controlamos como podemos reagir.

a operação não era (felizmente não foi) nada de especial. ao nariz. aos cornetos.
mas o acordar foi violento. estivemos muito tempo a tentar acalmá-lo. sangrava. entrou em pânico por não conseguir respirar pelo nariz.
o reflexo natural era querer assoar-se e mexer no nariz. puro instinto de sobrevivência.
sussurava-lhe ao ouvido, tentando inspirar alguma calma. tinha que o agarrar - com força! para não se magoar, nem na parede, nem nas grades da cama.

quem já assistiu ao despertar de uma anestesia sabe que observamos a natureza humana numa forma próxima do tresloucado, onde os olhos falam por si; parece que vão saltar.
tudo o que nunca mostramos e guardamos cá dentro vem à superfície nestas alturas.

como pai, nada há que me angustie mais do que o sofrimento dos meus filhos.
pelo sentimento de impotência. pela falta de domínio de todos os meios para reduzir esse sofrimento.
a cura também resulta do sofrimento. infelizmente tem que se passar por esse estádio.
mas hoje foi muito duro.
cada um deles já havia sido operado uma vez. sabíamos que o despertar é difícil. hoje, foi-o particularmente.

amanhã será outro dia e já com outra perspectiva. terá alta e estará em casa. começará a recuperação. como força da natureza que é, correrá bem.
e como pais, acreditamos que fizémos o melhor para o ajudar. esgotadas muitas outras abordagens e possibilidades, escolhemos esta.
permaneceremos com a dúvida, mas confiantes de que foi uma boa escolha.

no que depender dos nossos corações e vontade, a partir de agora a saúde melhorará.
acreditamos, porque temos que, e queremos, acreditar que sim!

o amor mostra-se mais forte nos momentos adversos.
é sempre quando sabemos que amamos incomensuravelmente.
amo-os tudo!

ab

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

40 anos --> 40 quilómetros (talvez, talvez ...)

bom!!!
não é todos os anos que se faz 40 anos.
e este é "o" ano!
e ontem surgiu-me do nada, a imagem:
40 anos --> 40 quilómetros (provavelmente não foi do nada e teve uma aragem do fim da europa, quem sabe?).
pois é fiquei a matutar.
e não é que tenho férias no meu dia de anos?
é uma 2ªf, daqui a umas poucas de semanas. março, 16.
já esbocei num papel de rascunho uma ideia - algo parecido com um plano.
só os treinos longos e a evolução gradual, para já. creio que vai dar!
já sinto a adrenalina e o prazer a fluirem nestas veias ainda tão novinhas, dos 39 aninhos :)
ah! jovens, não pensam ...
abraço
ab

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Into the wild



só neste fim de semana vi o filme.
um dos que aponto desde já como marcante.


o livro estava pedido no sapatinho mas acabou por não chegar. um dia destes cruzo-me com ele e lá vai disto - é que nunca deixo de ler um livro que me interessa, mesmo após ver o filme.


livro é livro, tem uma magia própria.

3 notas sobre o filme:
- o caminho tem que estar cá dentro e esse é o guia - o único que vale a pena seguir. com ou sem medos, ou melhor, com mais ou menos medo, mas o único.



- a felicidade depende invariavelmente da partilha. há uma linha a partir da qual ninguém é feliz sózinho.
afinal ... somos animais, diferentes de outros, mas em tantas, tantas coisas, iguais.

- só partindo pode valer a pena.



até breve
ab

domingo, 25 de janeiro de 2009

Grande Prémio do Fim da Europa - em modo treino

saí pelas 8:40h de casa direito a alfragide, via carnaxide. finalmente percebi a enchente na bomba da bp de carnaxide aos domingos e no mac donald’s mesmo ao lado: a reunião dominical dos frequentadores da assembleia das testemunhas de jeová, paredes meias com cervejeira e com a bomba. trajados a rigor, lá iam e vinham a fazer tempo para o início da reunião. chegado à zona dos comandos da amadora/borel entrei no ic19 e tive um verdadeiro passeio até sintra. se fosse sempre assim, seria bastante agradável.

ao som da música do vitorino - tudo (o alentejo, lisboa, o amor) deleitei-me durante todo o trajecto. ouvi o 2º disco – lisboa, com canções como “leitaria garrett”, “flor de jacarandá”, “dia de passeio”, “marcha de alcântara”, “queda do império”. considero sempre maravilhosa a oferta que a vida nos dá de podermos desfrutar, na plenitude, da beleza da arte. é também em momentos destes que sou muito grato.



saí para o ic30 e rapidamente me achei junto ao tribunal de sintra. logo de seguida e rumo à zona da estação onde tinha combinado encontrar-me com o pedro o. buda e com o nuno k. foca, passei pelo museu berardo, centro olga cadaval e pela villa eugénia, uma verdadeiro hino à beleza, com o seu jardim. quando virei para a estação muitos atletas já estavam equipados a rigor em aquecimento, ou ultimavam os preparativos. o ambiente típico e apetecível das corridas de estrada. junto com os meus amigos iniciámos o aquecimento e dirigimo-nos para a linha de partida. eles tinham dorsal, eu não. a ideia era fazer um treino. a estratégia foi definida – eles não iriam fazer a prova toda, a meio da corrida, sensivelmente, voltaríamos para a zona do estacionamento.
muitas caras conhecidas na zona da partida: o tiago (estreante na maratona carlos lopes de 2008 onde o conheci) que lhe apanhou o gosto e já anda nas ultras, a rosa mota – a nossa flor campeã, frágil de aparência e ela mesma uma natureza tão forte, os companheiros de algés/linda-a-velha – paulo e miguel – que vão novamente fazer sevilha, depois de nos conhecermos no porto em 2007, o fernando andrade (que não me conhece mas a quem um dia destes vou dar um bacalhau), a ana pereira, e tantos outros.
passado o aquecimento e de manguinha curta, pois já sentia o quentinho do corpo, lá fomos ao tiro de partida. o vento e o frio rapidamente deram lugar ao suor do esforço em subida. imaginava ao que ia. não sabia que seria tão belo e revigorante. logo no início cumprimentei a ana: que bom ana! o regresso, pelo regresso e pelo sorriso, bonito e a aumentar o sorriso com que sintra nos brinda.

durante os 3 primeiros quilómetros, sempre a subir até ao cruzamento para o palácio e para o castelo dos mouros vivi um momento único, nunca antes experimentado: o silêncio era quase total, apenas a natureza e os passos. os atletas em comunhão partilhavam a dificuldade da empreitada. não eram necessárias palavras, nem sons. a partilha pelo silêncio e pelo esforço em vencer as subidas empurravam-nos a todos.




verde, muito verde, sintra em todo o seu esplendor, inenarrável.
lembrei-me de eça de queirós e "dos maias" (carlos da maia, maria eduarda, joão da ega e raquel cohen, dâmaso, …). a sintra, a bela sintra, paisagem e aconchego de algumas das mais belas letras dos mestres da nossa herança literária.













o ar é tão puro que me questionava porque não podemos viver em locais assim. devia ser um direito universal. passar por ali, em corrida, a andar, em visita, faz gostar ainda mais da vida.
após o cruzamento iniciámos o percurso em alternância, sobe e desce, mas mais em conta. algo igualmente belo foi a variedade de cores da indumentária de inverno, com os equipamentos de cores fluorescentes, alegres, um arco íris em movimento. quilómetro e quilómetro íamos respirando a pureza e desfrutando da vista em tons de verde. o sol ajudava, rompendo e abrilhantando o caminho. o nuno e o pedro mais à frente, eu mais lentinho. após os 7 quilómetros e talvez duzentos metros, resolvemos virar. o trajecto fez-se bem, novamente até ao cruzamento do castelo dos mouros. fui cumprimentando e gracejando com as bocas dos companheiros. novamente a ana com uma expressão sorridente, aparentando que faz isto todos os dias, apesar do recomeço recente. a tarimba, a tarimba :)
quando questionado pelo nuno, anuí em seguirmos pelo castelo dos mouros e pelo palácio. fui praxado. na fábula que gracejámos conjuntamente: o buda (pedro o.), a foca (nuno k.) e o tartatuga (moi-même), a foca praxou o tartaruga :). foi o preço a pagar por temos andado tão lentinhos, eu e o pedro.
ainda apanhámos umas valentes subidas e depois foi o massacre final para as pernocas e para os pezinhos e tendões: a descida a “pique” em calçada.
mas lá fui com os meus companheiros e o nuno redimiu-se, ao mostrar-me a casa onde viveu hans christian andersen em 1866 na sua passagem por portugal. tal como todas as das redondezas, apetece de imediato tratar da papelada para nos mudarmos para ali. paradisíaco.


até ao final tudo normal, com mais um acto sádico da nossa foca mestra: passar por dentro, junto às 2 piriquitas. o cheiro até me incomodou :) tal era a fome.

os turistas já animavam mais as ruas, embora olhassem para nós meio de lado. afinal … que tipos tão estranhos. terminado o treino, após 1h49m e 16,5 km segundo o gps do nuno, o leite com chocolate e a barra restabeleceram-me os níveis mínimos e souberam a caviar. era hora de arrancar para casa.
obrigado nuno e pedro – foi talvez o melhor e o mais bonito treino da minha vida.
ab

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Blog interessante - Matt Fitzgerald

da leitura do livro do dean karnazes "50/50" retirei uma indicação e segui o caminho.
fui dar a este blog, de um dos treinadores referenciados pelo "ultra" e co-autor do livro.

http://mattfitzgerald.org/

gostei. tem artigos bastante interessantes e abrangentes, desde técnica de corrida, ametodologia do treino, a nutrição, etc.

ab

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Chuva saborosa

completamente ensopado.
completamente extraordinário.
o treino de hoje ao final da tarde. 60 minutos. muito bom!

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já não me consegui inscrever no grande prémio do fim da europa.
3ª f de noite já estavam esgotadas as inscrições. não obstante, gostei do site da SportScience.
mas vou fazer um treino, aproveitar a beleza do percurso e estrear-me naquelas bandas.
para o ano espero que oficialmente.
este ano, se tudo correr normalmente, para acompanhar (no evento, não na corrida propriamente dita :) os meus Amigos n. e p.

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ab

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Subidas em dia histórico

os 50 minutos de hoje no jamor, ao final da tarde, tiveram tempo frescote, chuva e algumas subidas. e uma boa onda, muita vontade e motivação. e prazer. fundamental.
talvez a estreia em 2009 possa estar perto ... e com grandes inclinações!!!
:)

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hoje foi mais um dia em que "houve" história.
"yes we can"!
o mundo já mudou com esta mudança.
segue-se a parte mais difícil, manter a dinâmica em coerência com os valores.

creio que sim! acredito.

ab

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Nojento

entrava na faixa para as portagens de porto salvo.
vindas da galp duas jovens dentro de um carro, seguiam na mesma direcção.
faço pisca, coloco-me atrás do carro e quando dou por mim recebo no vidro com 2 plásticos de embalagem de maço de cigarros.
pura e simplesmente as moças abriram o maço de tabaco e pimba ... vá de deitar, janela fora, o plástico.

sem mais comentários.
isto não se ensina. ou se aprende, ou então ... não!
que tristeza.
e assim como foi o plástico, para a próxima será o resto da maçã, ou o lenço de assoar, ou a caixa de cartão com o bolo ou a sandes, comprados na estação de serviço.

ab