quarta-feira, 17 de março de 2010

28 (As lições de Almourol)

aqui ficam as lições aprendidas (assim o espero :) nos trilhos de almourol.

1 – a massa, bela massa: repôs a verdade dos factos. se em condeixa parti intoxicado pelo belo queijo, enchidos e grelhados, mas a boa da batata frita e o excelente digestivo, aqui em almourol parti bem nutrido, com massa a rodos. é sempre melhor ter reservas e creio que se revelaram fundamentais. afinal, está tudo nos livros há muito :)

2 – a gestão do ritmo: foi crítica para ter chegado ao final. constipado como estava, se tivesse partido a acelerar (conceito sempre relativo em relação à minha pessoa, entenda-se …) teria sido muito difícil terminar

3 – correr acompanhado nestas provas longas ou muito longas: por mais que goste de correr sozinho, após as 3 ou 4h de corrida há um sentimento de conforto e de acompanhamento que é necessário assegurar. a percepção da pertença é fundamental. a cecília ajudou-me a chegar ao final, mais o moutinho, a eliana e o hélder. e a célia e o sousa, e o adelino, e …, e …, todos os que se iam cruzando comigo. afinal, todos somos animais sociais

4 – abastecimentos: foram essenciais. e pela primeira vez creio que soube tirar verdadeiro proveito dos abastecimentos sólidos. numa prova com estas características nunca é de mais parar, relaxar, ingerir sólidos sem grandes misturas e conversar um pouco. quando partimos, seguimos revitalizados pela comidinha no estômago

5 – bolsa ou mochila: bom, a experiência não foi muito positiva. a mochila teria talvez sido melhor. a bolsa com a garrafa de água e com a caixa dos óculos, começou a descair e a meio da corrida fui seguindo com a dita a tiracolo, alternando de lado. este pormenor é a rever, até porque voltei a correr com a bolsa no domingo durante 1h30m e correu bem, pois não ia muito cheia. o problema são os volumes tipo garrafas

6 – mental versus físico: foi uma extraordinária experiência porque creio que também pela primeira vez senti mesmo a mente a vencer o corpo. naquele momento em que o corpo já nada sente, a mente quis continuar e não deu tréguas. e faz-nos sair mais fortes do palco da peleja. acreditar é preciso, sempre! é o segredo. até ao fim. até porque nunca sabemos o que vai suceder 100m mais à frente e essa é a beleza deste tipo de provas

7 – água gelada nas pernocas: este continua a ser fundamental. descobri o ano passado e agora, logo após as corridas longas ou os treinos muito volumosos, toca de ficar com água gelada durante um bocado nas pernas e coxas, quer anteriores, quer posteriores. pode não parecer mas ajuda muito na recuperação

8 – próximo desafio: por razões muito especiais, não poderei fazer os trilhos do pastor e a maratona carlos lopes, que estavam no meu programa. as provas do nacional de fundo e do nacional de esperanças de kayak do rodrigo calham precisamente nesses fins de semana. por razões mais especiais ainda – a seu tempo – tenho que reequacionar a agenda para os próximos 2 ou 3 anos. questões de prioridades. daí que seja importante perspectivar algumas provas, mesmo que não sejam tão longas ou de trilhos, para manter a chama acessa. é que acreditem: 1 hora após a corrida já só apetece fazer outra semelhante, ou um bocadinho mais exigente. é apenas a natureza humana a falar, claro está!!! :) mas com calma, tranquilidade e muito bom senso, lá saberei encontrar o equilíbrio, o ponto certo onde se cruzarão harmoniosamente as várias prioridades

abraço

ab - tartaruga

3 comentários:

Rui Pena disse...

Caro Bento...

Nada como estes relatos e estas (tuas) reflexões, para darmos valor aos feitos que vamos fazendo... percebe-se que não é fácil e que nos ultrapassamos...

Parabéns pela tua prova em Almourol... Isto de fazer praticamente uma maratona e nem ter sido informando de que era a isso que se ia!... não é nada fácil não.

Abraço,
Rui

Ricardo Baptista disse...

Tartaruga,
Já tive a oportunidade de dizer que estas reflexões são muito boas. Aprendemos (eu pelo menos) mais assim do que nos tais livros que são escritos mais para intelectuais e menos para o atleta de alto calibre como é o nosso caso.
Uma dica minha: há bolsas muito boas que conseguem levar dois bidons e mesmo assim continuam confortáveis.
Espero por essas novos desafios.
Boas corridas.

BritoRunner disse...

Ainda bem que depois de Almourol já pensas em novos desafios.

Eu também já tenho algumas ideias em mente: Trilhos do Pastor; AxTrail na Lousã; 13km do Guincho; Corrida do Mirante (OTA); Ultra Trail Geira Romana (50km); Trail Reixida-Leiria; e se ainda houver pernas Ultra Trail Serra da Freita (70km)

Não sei se vou ter tempo de meter alguns kms de alcatrão, mas a Maratona Carlos Lopes terá de ficar para outra oportunidade.

Saudações Trailianas
José Brito