domingo, 8 de março de 2009

Há dias assim ... tristes!

primeiro. o primeiro. o melhor de todos. ficar em primeiro ...
parece que nada mais existe que o primeiro, o objectivo de ficar em primeiro.

e o mundo, que é tão rico devido ao conjunto do "todos", por causa de todos os outros, que não apenas o primeiro. e geralmente nem é o primeiro o mais interessante. são todos os que podiam ser os primeiros mas que por qualquer razão não o foram.
e todos os que não podem ser primeiros? sim porque nem todos podem, genética, fisiológica e psicologicamente falando.
onde ficam? já não há lugar para eles? mas então como pode haver primeiros, sem existirem os outros?

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hoje foi um dos dias mais tristes da minha vida.
vinha preparado para relatar mais uma incursão pelas canoagens. infelizmente não o vou fazer! vou descrever um outro lado da "festa".

que valores se passam para os jovens em formação? que formação desportiva - e logo cívica - se está a passar com o exemplo da mediocridade e da intrujice? da fraude? do desrespeito pela saudável competição?

passo a explicar (e sou insuspeito, porque não tive os "meus" envolvidos):
- numa prova, uma tripulação não alinhou à partida. a partida foi dada e a meio da prova, devido aos incidentes que haviam impedido o alinhar na partida, a dita tripulação "apanhou" a prova já em marcha.
no final foram chamados ao pódio como tendo ganho o primeiro lugar.
para além da palhaçada da organização, que não teve um controlo mínimo para evitar a falsificação da verdade desportiva, resta a vergonhosa atitude dos treinadores, pais e jovens concorrentes.
receber o prémio de 1ºs classificados, quando os segundos ali estavam honestamente, tendo partido e chegado segundo as regras, sem se terem apercebido do sucedido ...
ninguém assumiu este acto vergonhoso.

os "vencedores" levaram um troféu sujo: de desonestidade, de desrespeito, de pequenez, de mediocridade, de falta de carácter, de tudo aquilo que mais abomino na espécie humana.
os treinadores e os pais provavelmente já terão muitos destes troféus em casa. só assim se explica o "exemplo", a passividade, a ausência de vergonha, a mesquinhez do acto, o roubo.

são estes os jovens que se formam neste momento, desta forma, neste país.

e sinto-me cada vez mais "alienígena". porque me sinto parte de um grupo cada vez menor, que condena e acha anormais estas situações.
pelos vistos a fraude e a ausência de valores "saudavelmente desportivos" estão a tornar-se normalidade.

preciso de mudar de país?
sim porque fechar os olhos vai contra mim, não o posso fazer, não o consigo fazer.
quando a fraude passa a pertencer ao rotineiro fluir dos dias, quando é parte normal no comportamento de "agentes" desportivos - de crianças a adultos, onde mora a raiz esperança?

é que sou do tempo em que desporto significava em primeiro lugar respeito por nós próprios, em segundo lugar respeito pelos outros e, em terceiro lugar, aceitar as regras do bom carácter e da boa conduta desportivas - a primeira das quais, não fazer batota e aceitar os resultados como fruto do trabalho e do suor, por vezes da sorte, nunca, mas nunca, da trapaça.

ab

nota 1:
não estava (feliz ou infelizmente) naquele momento, na entrega dos troféus.
caso estivesse, podia ter corrido mal, pois teria difculdade em reter a indignação ...
talvez fosse um pequeno passo. talvez! mas cada vez sei menos ... e o pior é que não sei se adianta alguma coisa, pois os referenciais são totalmente distintos. praticam-se valores "concorrentes".

hoje estou enojado.

nota 2:
o lado positivo desta história: como é com os exemplos que educamos, aproveitei naturalmente este para falar com o rodrigo e para insistir na diferença de valores e de práticas, os que defendo e os do exemplo.

4 comentários:

Nuno disse...

Olá Antonio
Infelizmente ainda há historias destas, a falta de verdade desportiva. Que exemplos dão este pais, treinadores a estes jovens???
Jovens que vao ser o futuro do País....futuro nada risonho.
Um abraço

Pedro Alves disse...

Olá,

Estou a ver que a canoagem do CDPA está ao nível da vela...
Há uns tempos e numa discussão acerca de regras de regata dizia-me um responsável pela vela "... bem, isso das regras não se sobrepõe ao bom senso, pois nem toda a gente sabe as regras..."
É por isso é que uns devem ficar em casa a coser meias e outros podem ir para a água...

São brandos costumes...e apenas se tratou de um pequeno atraso... nada de especial. Afinal e malta veio para se divertir... correcto

Jorge disse...

Antônio infelizmente isso só não acontece ai em Portugal já vi provas aqui no Brasil acontecendo isso é por isso que tais atitudes vergonhosa desses atletas é que o atletismo não vão para frente, parabéns pela atitude de divulgar aqui esse ato vergonhoso se a maioria dos atletas fossem unidos muitas bagunças nas corridas iriam acabar, vamos torcer para que isso não ocorra mais não é mesmo.

Boa semana e Bons treinos.

Um abraço,

JORGE CERQUEIRA
www.jmaratona.blogspot.com

António Almeida disse...

António
de lamentar o sucedido mas infelizmente não me surpreende.
Numa época em que se fala tanto de crise, esta a crise dos valores suspeito que infelizmente veio para ficar.
Muito complicado ser pai e educador nestes tempos.
Abraço amigo e uma boa semana.