sábado, 21 de novembro de 2009

Treino Escandinavo

já não escrevo aqui há 2 semanas. uma forte infecção na gengiva colheu-me 2 nervos de molares e afastou-me dos 1ºs trilhos de casaínhos. ainda pensei em correr, mas uma deslocação em trabalho à suécia durante a semana que agora termina fez-me pensar 2 vezes e decidi poupar-me. as prioridades, as prioridades ... :)

este post será mais sobre a cidade de malmoe - o nosso destino - e a experiência da viagem, do que propriamente sobre corrida. mas a corrida está e esteve presente e assim foi, também, desta feita.

malmoe foi o destino onde chegámos na 3ªf de tarde. tivémos uma 1ª sensação estranha: pelas 16h anoiteceu. praticamente a meio de um dia de trabalho português. :). os dias nesta fase do ano amanhecem como cá pelas 7h30m e anoitecem muito cedo.
o trabalho começa entre as 7 e as 8h e termina pelas 16 ou 17h, em média.
janta-se cedo entre as 18 e as 19h30m, e a malta segue cedinho para a cama.


a central station de malmoe - a 22 minutos de copenhaga


simpatia: uma primeira nota - a simpatia e sentido cívico dos habitantes, do colectivo. a certa altura estavámos já perdidos, com um mapa na mão a tentar encontrar o malmoe massan, o centro de convenções, quando um homem de mochila às costas parou sem que tivéssemos pedido ajuda, nos perguntou do que precisávamos e nos indicou o caminho.

bicicletas: malmoe é uma cidade plana. toda a gente, quase, anda de bicicleta. nas ciclo vias têm-se prioridade sobre os carros. os níveis de poluição pareceram naturalmente, baixos. mães com crianças de colo atrás nas bicicletas, pais, filhos no regresso das escolas, avós, casados, solteiros, novos, velhos, loiros, morenos (os que existem :), enfim, todos utilizam a bicicleta como se fosse parte do seu corpo.

parque de estacionamento de bicicletas perto da central station

parque de estacionamento de bicicletas numa das praças centrais

saúde: não estranha que as silhuetas se mantenham esbeltas, que todos apresentem um ar saudável, que se poupe muita energia, muito dinheiro e muito tempo. um verdadeiro espectáculo. e as bicicletas não são nada de luxo, são normalissímas, quase diria, até, para os nossos juízos de valor, parolas. é isso, os suecos, preferem a vida saudável e a qualidade de vida, às marcas, ao exibicionismo e show off, à necessidade de ter o último modelo. escolhas ... acertadas, em meu entender. por outro lado, a cidade é limpa, não se vê lixo nas ruas, a organização é muita, e esse facto permite-nos ter confiança. em malmoe come-se bem, comida típica condimentada, sobretudo à base de peixe. a carne assume igualmente uma elevada importância e é bem cozinhada, com molhos e sabores intensos. existem restaurantes para todos os gostos e umas tapas calharam mesmo bem na última refeição nocturna.

segurança: senti-me smpre muito seguro. a qualquer hora do dia ou da noite nunca pairou qualquer especie de "feeling" mais inseguro. muito bom, muito boa onda.




mesmo quando alguns têm que seguir pelas portas das traseiras :)

multi-culturalidade: na cidade vêem-se muitas "cores". predomina o típico loiro escandinavo, mas conseguimos ver pessoas oriundas de todos os cantos do planeta. uma invariante: nos táxis predominam os motoristas de origem muçulmana - quase todos sem excepção. nos hotéis vê-se sobretudo, entre o pessoal da limpeza, as origens africanas.


organização: já referi que tudo está bem organizado. é claro que existem pequenos atrasos nos autocarros, que há obras que perturbam ligeiramente a circulação normal nas horas de ponta, não há a perfeição a 100%. mas anda lá muito perto.
3 exemplos:
- pedir um táxi na recepção do hotel; referem-nos que será feito através da internet, que é mais rápido. 1 minuto depois o táxi está à porta do hotel. no táxi, para além do gps, temos uma ligação electrónica que permite pagar com cartão, receber o talão saído da máquina. o preço é geralmente determinado aquando do início da "corrida", mediante as tarifas pré-definidas.
- recibo de viagem. não foi pedido numa das viagens. no dia seguinte refere-se esse pormenor a um taxista da mesma frota. no final desse dia no hotel surge um fax com o recibo anexo.
- frio de noite. dormir com 2 edredãos, um de cada cama do quarto. no dia seguinte, sem que tivesse sido solicitado, está um aquecedor no quarto, pronto a ser utilizado.
para além de organização chama-se qualidade de serviço.

nível de vida: não notei grandes diferenças nos preços, quer de restauração, quer de roupa, por exemplo, face aos nossos. alguns bens de consumo menos essencial, como algumas bebidas, são mais caros, mas um prato de peixe ou de carne, são apenas ligeiramente mais elevados (entre 9 a 12 euros em média). o mesmo se aplica aos bilhetes de autocarro e de comboio.
uma 2ª nota: wireless em todos os quartos de hotel, à borlix, sem qualquer problema. um bom investimento
(nota: a conferência era de e-gov. portugal saíu reforçado da conferência, com 1 primeiro lugar numa das categorias e com várias menções ao longo das sessões (uma em particular foi um enorme motivo de orgulho, pois o simplex, o caso do magalhães e o wireless nas escolas, foram 3 exemplos citados por um dos gurus do management - don tapscott, que escreveu um excelente livro chamado wikinomics). estamos na vanguarda a este nível do ponto de vista de projectos inovadores e de boas ideias, já com alguma implementação. mas, em termos de infra-estruturas, em termos comparativos, ainda temos que melhorar para massificar o acesso à net, suportadas pelo novo potencial da fibra e do wireless.)

treino: para terminar e antes de mais uma série de fotos, o treino. andei 3 dias em agonia :) a pensar que não treinaria em malmoe. mas lá chegou a hora. foi na 6ªf, último dia, pelas 6 a.m. esqueci-me da lycra e pensei que seria pior. estariam uns 2 ou 3 graus. mas como é perto do mar, acaba por ser um frio gerível. bem artilhado de nike pro, uma t-shirt e um polar lá segui para 50 minutos de deleite (ainda) nocturno. circulei sempre junto aos canais, num percuso de ida e volta até zonas mais residenciais, ligeiramente mais longe do centro, onde estávamos hospedados. no regresso começou a notar-se o movimento, alguns carros, autocarros e bicicletas que iniciavam a hora de ponta. um prazer, conhecer uma cidade, de noite, também à custa da corrida. não me cruzei com nenhum corredor, mas houve dias em que ao final da tarde lá os via, 2 ou 3, com os seus impermeáveis fluorescentes, a galgar quilómetros. mas naquelas bandas é mais bikes!!!

Ah, e os teclados são quase iguais aos nossos, com a falta do "ç" - nunca o cê cedilhado me havia feito tanta falta :)))



igreja no centro de malmoe


edifício da câmara de malmoe


a roda de malmoe



edifício numa praça no centro de malmo


um dos canais no centro de malmoe


o malmoe torso


uma viagem agradável, com muita aprendizagem, muito prazer e uma corridita fundamental


até breve
ab

4 comentários:

Carlos Ferreira disse...

Obrigado pela tua bonita descrição. Fiquei com uma enorme vontade de visitar a Suécia e em particular Malmoe.
Um abraço.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Obrigada pela viagem António... de alguma forma, levas-nos lá... e eu gostei!

Um beijinho e uma boa semana

Ana Pereira

Anónimo disse...

Olá Amigo
excelente, só podia, este relato dos teus dias em Malmoe.
E até deu para uma corridinha, isto não é para todos, treinos no estrangeiro.
A corrida e de facto um desporto que tem essa possibilidade.
Boa semana.
Grande abraço e cumprimentos à família.
AAlmeida

Joaquim Ferreira disse...

Obrigado pela partilha da experiência em Malmoe, quando se "ouvem" descrições assim feitas, ficamos com um enorme sentimento de curiosidade.

Fiquei "intrigado" com aquela dos "Hippies use Backdoor"

Um abraço e vamos lá a recuperar dos Treinos e Provas!